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	<title>Teologia &#38; Liturgia e Culto Cristão</title>
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		<title>Teologia &#38; Liturgia e Culto Cristão</title>
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		<title>Quaresma &#8211; 1o.Domingo &#8211; Ano B</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2012 17:32:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Derval Dasilio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[1o DOMINGO DA QUARESMA – ANO ‘B’ (2012) Gênesis  9, 8-17 – “&#8230; juro não irar-me contra ti nem reprovar-te” Salmo 25,1-10 – Deus, perdoa os meus pecados por maiores que sejam 1Pe 3,18-22 –  Cristo desceu ao mundo dos mortos para resgatá-los Marcos 1,9-15 – No homem Jesus reaviva-se para os oprimidos Por que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=385&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://wp.me/p1rHHg-6d"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-387" title="quaresma" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/02/quaresma.jpg?w=138&#038;h=150" alt="" width="138" height="150" /></a>1o DOMINGO DA QUARESMA – ANO ‘B’ (2012)</strong><br />
<strong>Gênesis  9, 8-17 – “&#8230; juro não irar-me contra ti nem reprovar-te”</strong><br />
<strong>Salmo 25,1-10 – Deus, perdoa os meus pecados por maiores que sejam </strong><br />
<strong>1Pe 3,18-22 –  Cristo desceu ao mundo dos mortos para resgatá-los</strong><br />
<strong>Marcos 1,9-15 – No homem Jesus reaviva-se para os oprimidos</strong></p>
<p><strong>Por que o ponto de contato com a “quaresma”, neste texto? O Dilúvio dura quarenta dias e quarenta noites&#8230; do ponto de vista sacerdotalista (Gn 7,24); cento e cinqüenta dias para “J” (Gn 8,3), porém, há evidências semelhantes de uma Tradição Primitiva que cuida também das origens da humanidade, referindo-se ao assunto (André Feullet). Desse modo, podemos aproximar-nos do sentido que os autores “sacerdotalistas” desejaram colocar para o Dilúvio e a Aliança: Javé não faz uma aliança bi-lateral com os homens, simplesmente toma a iniciativa de salvá-los. Está implícito que as alianças humanas são passíveis de corromperem-se ao sabor dos interesses do homem.  É graça, misericórdia, hesed, “gratuidade absoluta” de Javé, no Primeiro Testamento. </strong></p>
<p><strong>Deus não pedirá contas do sangue do homem, nem mesmo dos assassinos, os que matam ou cultivam a morte, impondo-a a outros homens&#8230; inclusive as feras (Gn 9, 8-17 Lev 17,10-14; 19,26; Dt 12,23).  Finalmente, a fonte “javista”, no final do capítulo 8 (21-22), em consequência do sacrifício de Noé, relata uma repercussão dessa aliança gratuita: “Não amaldiçoarei mais a terra por causa do homem&#8230; nunca mais castigarei os vivos como tenho feito. Enquanto durar a terra, semeaduras e messes, frio e calor, verão e inverno, dia e noite não terão fim”! </strong></p>
<p><strong>Na tradição pascal veterotestamentária, a celebração da Páscoa precedia o deserto. Na tradição sinótica (NT), o deserto precede a Páscoa. O deserto marcou o início do ministério de Jesus, além de aparecer em algumas vezes na história do seu ministério. Após o batismo, Jesus retirou-se ao deserto onde jejuou, orou e foi tentado. No deserto, após vencer a tentação, sujeito a inimigos naturais, lobos, serpentes, ele foi servido pelos anjos que o protegiam e preservavam. Deste modo, o deserto é lugar de provação e da providência protetora divina. Diferentemente do povo de Deus na história da peregrinação no deserto (que blasfema, idolatra a prosperidade, a ganãncia por riqueza, através do bezerro de ouro&#8230;), Jesus venceu com a ajuda da Providência. Superou a provação (sem-lar, sem-terra, sem-saúde assistida, sem orientação escolar, por exemplo) e manteve-se fiel a Deus. </strong></p>
<p><strong>Lembramo-nos de 2 bilhões que passam fome, no Planeta; dos moradores de periferia, 90 milhões no Brasil. <strong>Não há luz sobre 13 bolsões de miséria escondidos, no país; 600 municípios, sem urbanização, hospitais, escolas; 20 milhões de pessoas vivendo sob todas as fomes do mundo…  municípios carecem dos mínimos recursos modernos, como eletricidade, água potável, esgotos sanitários, escolas razoáveis; pessoas cujas rendas diárias per capita média não ultrapassa 2 reais. Nas periferias das cidades e metrópoles 90 milhões conhecem o mesmo sofrimento, as mesmas doenças, as mesmas desigualdades. Os mesmos </strong> desertos que os poderes públicas hesitam conhecer e atender.  Seus habitantes continuam sob constante provação.  Por isso, ele, Jesus, não experimentaria a morte às portas da terra prometida, como aconteceu com Moisés. Assim, juntam-se deserto e ressurreição na história de Cristo, ressurreição em todos os significados possíveis, unindo batismo e eucaristia (ceia pascal) em um mesmo movimento. Batismo e deserto marcam o início do ministério de Jesus, enquanto a eucaristia e a ressurreição marcam o final. </strong></p>
<p><strong>Mateus dedica-se a mostrar que também Jesus foi tentado no deserto por quarenta dias, antes de iniciar seu ministério, ou a pregação da chegada do Reino de Deus. A partir daí, a Igreja Cristã, especialmente nas comunidades do Apocalipse, sob resistência política, enxerga sua provação como o deserto, onde as águas do &#8220;dragão&#8221; (fome, abandono político, opressão, miséria) tentam engolir a comunidade (&#8216;provação&#8217;), e o deserto engole a água (&#8216;providência&#8217;). São figuras e símbolos apocalípticos presentes nos momentos de crise (cf. Carlos Mesters, Apocalipse).</strong> <strong></strong></p>
<p><strong>Jesus é o Filho de Deus. Nada de bom se poderia esperar desse homem na luta pela justiça, vindo da obscura Nazaré, uma localidade insignificante ao norte da Judéia. Jesus é  alguém sem nenhuma carta de apresentação, sem pistolão, sem partido ou protetor político (Mc 1,9-15). Jesus é um judeu nazareno sem compromisso com essênios, fariseus, hasmoneus, saduceus, ou extremistas zelotas. No entanto, é com ele que acontece algo de inesperado: “Logo que Jesus saiu da água, viu o céu se rasgando, e o Espírito, como pomba, desceu sobre ele. E do céu veio uma voz: ‘Tu és o meu Filho amado; em ti encontro o meu agrado’ ” (1,10-11). A manifestação do inesperado, do novo, é descrita pelo evangelista através de um rasgão do céu e de uma voz que de lá veio. O céu se rasgou – Marcos diz que em Jesus se realiza outra profecia de Isaías. De fato, o desejo do profeta era: “Estamos como outrora, quando ainda não governavas, quando o teu nome, Iaweh, nunca fora invocado. Quem dera rasgasses o céu para descer (a justiça)!” (Is 63,19). </strong></p>
<p><strong>Pois bem, esse desejo agora acontece. O céu se rasga para que Deus esteja presente entre os homens. O que é que faz com que o céu se rasgue e o Espírito de Deus desça sobre Jesus? O livro do Êxodo mostra claramente por que Deus desce: “Iaweh disse: Eu vi bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos. Por isso, desci para libertá-lo do poder dos egípcios [escravidão econômica] e para fazê-lo subir para uma terra fértil e espaçosa, terra onde corre leite e mel&#8230;” (Ex 3,7-8). O cenário, porém, é dominado agora pelos assírios, e depois pelos babilônios.</strong><br />
<strong> </strong><br />
<strong>No homem Jesus, portanto, reaviva-se para os oprimidos a experiência de Deus agindo na história para libertá-los. Memória do &#8220;êxodo&#8221;. A presença do Espírito em Jesus é muito importante porque indica a presença do divino no homem de Nazaré (remeto ao comentário sobre a Transfiguração do Senhor &#8211; entre meus comentários do 7o. Domingo do Tempo Comum, próximo passado, 19.fev.; ver também o comentário abaixo: <strong>1Pe 3,18-22 </strong>). </strong></p>
<p><strong>Mais uma vez, são as Escrituras que ajudam a entender o texto de Marcos. A voz vinda do céu, ao declarar Jesus como Filho amado, no qual o Pai encontra o seu agrado, nos faz lembrar duas passagens do Antigo Testamento: Salmo 2,7 e Isaías 42,1. Marcos, portanto, já confessa a sua fé: Jesus é o Messias, o Filho de Deus, que reinará sobre os homens. Mas, de que reino fala? Certamente é o Reino de Deus, cerne da pregação de Jesus nos evangelhos.</strong> <strong>No entanto, esse rei é o servo escolhido por Deus Pai, a serviço da justiça (“promover o direito entre as nações”). Para entender claramente as características desse &#8220;rei&#8221; recorreremos às parábolas: &#8220;o<strong> Filho do Homem veio para servir e não para ser servido&#8221;, cf. 10,42-45.  E</strong> não pronunciamentos, julgamentos, como o falso senso-comum acredita, de Mateus 25; especialmente a última, referente à solidariedade diaconal aos desgraçados: &#8220;Quando te vimos&#8221;? (Mt 25). O batismo de Jesus não é apenas um exemplo de humildade de Jesus, mas a revelação de que ele é o Messias esperado, o Filho de Deus presente no mundo (E. M. Balancin).</strong></p>
<p><strong>Derval Dasilio</strong></p>
<p><strong>Pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil</strong></p>
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		<title>7º Domingo do Tempo Comum (depois da Epifania) – Ano “B”</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 20:50:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Derval Dasilio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[7º Domingo do Tempo Comum (depois da Epifania) – Ano “B” Alternativa: Domingo da Transfiguração                                                                                 [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=368&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/02/deficientes.jpg"><img class="alignleft  wp-image-375" title="deficientes" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/02/deficientes.jpg?w=112&#038;h=141" alt="" width="112" height="141" /></a>7º Domingo do Tempo Comum (depois da Epifania) – Ano “B”</strong><br />
<a href="http://dasilio.wordpress.com/2012/02/13/7o-domingo-do-tempo-comum-depois-da-epifania-ano-b/#comments"><span style="color:#ff6600;"><strong>Alternativa: Domingo da Transfiguração    </strong> </span></a>                                                                                                                               <strong>Isaías 43,18-15 – O povo parece ser cego e surdo&#8230;</strong><br />
<strong>Salmo 41 – Cura-me, tenho pecado contra ti</strong><br />
<strong>2 Coríntios 1,18-22 –  Sim e não?</strong><br />
<strong>Marcos 2,1-12 – Levanta, sai da cama&#8230; anda.</strong></p>
<p><strong> “Há mansões nesse lindo país”, diz o antigo hino evangélico. Não só, mas edifícios, residências caras, proventos de milhões dos fieis para os parentes e laranjas eclesiásticos. O momento é identificado como “grandes igrejas, grandes negócios”. É possível conceber  passivamente, sem indignação, a existência de “profissionais da santidade”, pessoas destacadas e separadas para a busca pessoal do “estado de perfeição espiritual” onde as preocupações com a justiça e a solidariedade para com os fracos desaparecem, enquanto a graça é distribuída por mãos levianas? Tem preço, essa “graça”, e o custo é permanecer nas mãos de imperadores eclesiásticos milionários do <em>evangelical business</em> que se apropriaram do tesouro da fé para enriquecerem? A graça preciosa é jogada no lixo? Oferecendo-se um perdão equivocado, que não muda ninguém, conforto provisório, resolve-se o problema permanente da culpa não perdoada? O “perdão” eclesiástico, sujeito a prestações em dízimos e ofertas compulsórias, cessa quando o fiel pára de pagar? Mesmo depois do escândalo, da fraude trazida a público, o fiel ainda acredita que a escravidão religiosa lhe dará liberdade?</strong></p>
<p><strong>Confirmando a graça e a misericórdia de Jesus com coerência (Mc 2,1-12), obtemos, através dos termos <em> hesed </em>e<em> xáris </em>(misericórdia, no AT e NT), um exemplo de gratuidade. O deficiente é trazido por outros, que se arriscavam no meio da multidão por causa da restrição religiosa, que também o obriga ao confinamento e marginalização. A sociedade religiosa  reage, pois sua estrutura está montada em princípios que impõem a exclusão, sintonizada com a sociedade que naturalmente impõe a marginalização do doente e do deficiente. Qualquer mudança, qualquer alternativa além dos preceitos, da carga de tributos dizimais compulsórios, impostos religiosos, além dos ritos de purificação, lhe parecia impossível. Para ela a religião interesseira está acima da vida. E a vida dos seus fieis lhe pertencem. Ninguém tasca&#8230; elas possuem a alma do povo.</strong></p>
<p><strong>Detendo-nos, vamos encontrar o tema recorrente da cura e do destravamento das pessoas,  nessa passagem: uma pessoa dependente das outras, tipicamente um deficiente físico, como tantos, rechaçado socialmente; impedido de participar produtivamente da sociedade onde se encontra. Compreendendo que somos envolvidos pela misericórdia de Deus (a Bíblia não discute conceitos de espiritualidade). A misericórdia dá solidez ao corpo de Cristo. Somos convidados a concretizar a prática libertadora do Evangelho. No testemunho do Reino de Deus e sua justiça, prepara-se o Reino. Por outro lado, como diria Paulo Freire: <em>“ninguém se liberta sozinho, nós nos libertamos em comunhão”.</em> O primeiro passo é abandonar a ganância nos comprometendo com a vida. Buscando a justiça e a solidariedade para com os que sofrem. No encontro com Jesus, Zaqueu, popular que enriquece roubando seu povo, passa por uma mudança profunda e permanente (Lc 19 1-10). Por exemplo, Lutero teria dito dessa passagem: “Foi a graça preciosa que transformou sua existência por inteiro. Teve que largar tudo e seguir o Mestre”. A Graça de Deus atinge-nos na essência da vida e chama-nos para o discipulada. Baratear, ou jogar a graça no lixo, pela venda ou manipulação do dinheiro consagrado no altar, é desprezar o próprio Deus.</strong></p>
<p><strong>Jesus inicia seu trabalho a partir da relação cultural existente: pecado e castigo. A doença ou a invalidez são atribuídos ao pecado hereditário. Diz ao entrevado: “por que não levantas, se não és inválido por causa de pecados que atribuem a ti?” A saúde espiritual, para ser recuperada completamente, necessita de um “remédio” eficaz: vontade para fugir de determinismos culturais, religiosos ou não. Como é a crença na irreversibilidade do Mal, da inevitabilidade do pecado, da doença e da deficiência. A liberação da culpa não mais existente se estabelece através da autoridade da Palavra de Jesus. Diante de todos, o deficiente precisa “levantar” e exigir seus direitos. Nem a igreja, nem a sociedade  representam o Reino. Não podem cobrar nada mais, depois do perdão de Deus. A graça, contudo, não liberta de compromissos com o Reino, nem nos coloca nas mãos de charlatães milionários, ou donos de igrejas, que “perdoam pecados” exigindo a retribuição de quem é perdoado. O perdão de uma culpa tida como hereditária é dado de graça. Jesus nega a culpa herdada, divida a ser paga em prestações como o imposto religioso. </strong></p>
<p><strong>O sofrimento do deficiente é complexo e misterioso. Não pode ser explicado de maneira simplista. Jesus mesmo rejeita a interpretação do “castigo de Deus” no doente ou deficiente. Não aceita, também, o preconceito. Critica e repele o pretexto de “pureza ritual”, de santidade, para excluir pessoas do convívio fraterno e da comunhão da mesa. O que é a santidade religiosa, senão uma forma de omissão, ou exclusão espontânea? Jesus exalta a vida em primeiro lugar: todos têm direito à vida; todos gozam  dos direitos humanos e do exercício da cidadania. Jesus resgata a pessoa para o uso dos seus direitos fundamentais, inclusive de trabalhar e produzir o desenvolvimento da sociedade na qual elas, as pessoas deficientes, ou o enfermas, se inserem. O poder oculto da pessoa deficiente e dependente também aflora com a libertação da consciência de pecados ancestrais atribuídos injustamente (Mc 2,1-12). </strong></p>
<p><strong>Temos uma mensagem de salvação, hoje. Devemos anunciá-la. Mas ficamos obrigados, mesmo com gestos simbólicos, a tornar essa pregação em prática. O Reino é de Deus  deve ser anunciado, sim. Mas deve ser também construído, sendo que somos ferramentas, massa de construção, cimento e tijolos do projeto de Deus divulgado por Jesus. O Reino deve “concretizar-se” em nós e no mundo. Não desconhecemos o que pode fazer a força (<em>dynamis</em>) do Evangelho contra o mundo corrompido comandado pelos inimigos de Deus; contra os adversários do Reino encastelados na religião da ganância, no sistema econômico egoísta, nas ideologias políticas oportunistas, opressivas, permissivas na exploração dos fracos, abusando da consciência pela propaganda enganosa, materialista, de falsa prosperidade&#8230; a não ser para os impérios religiosos e seus beneficiários. </strong></p>
<p><strong>Por tudo isso, o Reino requer ações concretas da parte dos cristãos. Deus não se comunica com o mundo, e nenhuma pregação fará efeito sem os testemunhos das comunidades de fé, no sentido de se apresentar a salvação com visibilidade: Deus está agindo para tornar mais humana a vida dos homens e das mulheres deste mundo. Palavra e ação, teoria e prática, falar e fazer. Jesus é o cimento desta unidade. Roger Garaudy nos lembra a importância do evangelho como um alerta para a realidade do Reino. Na missão de Deus (<em>missio dei</em>), não se entra sem privação, sem luta, sem indignação e reação (disse Jesus: levanta e anda!). Jamais se entra no Reino pela “posse”, pelo “sucesso”, pelo exercício da “ganância”, ou pela “santidade” e omissão geradas na religião interesseira que produz impérios financeiros e se omite na salvação do mundo.  </strong></p>
<p><strong>Derval Dasilio </strong></p>
<p><strong><strong>Pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil</strong><br />
</strong></p>
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		<title>6º Domingo do Tempo Comum  (depois da Epifania) – Ano “B”</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 12:33:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Derval Dasilio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[6º Domingo do Tempo Comum  (depois da Epifania) – Ano “B”                                                                                                                  [Alternativa: Comentário ao Domingo da Transfiguração. Ver abaixo: Comentários]                                                                                                2Reis 5,1-14 –  A doença humilha e causa exclusão 1Coríntios 10,31-11 – Um só corpo um só espírito&#8230; para a glória de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=356&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4><strong><a href="http://wp.me/p1rHHg-5K"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-360" title="6o. domingo TC B5" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/02/6o-domingo-tc-b5.jpg?w=113&#038;h=150" alt="" width="113" height="150" /></a>6º Domingo do Tempo Comum  (depois da Epifania) – Ano “B”                                                                                                                  [Alternativa: Comentário ao Domingo da Transfiguração. Ver abaixo: Comentários]                                                                                                </strong><br />
<strong>2Reis 5,1-14 –  A doença humilha e causa exclusão</strong><br />
<strong>1Coríntios 10,31-11 – Um só corpo um só espírito&#8230; para a glória de Deus</strong><br />
<strong>Marcos 1,40-45 – Desapareceu a doença, e ele ficou limpo&#8230;</strong></h4>
<div><strong><strong>Temos uma página bastante comum no evangelho de Marcos: Jesus cura, não somente prega, enquanto  associa palavras e atos.  Suas ações trazem libertação, porém libertação integral, espiritual e corporal ao mesmo tempo. Seu modo de expressar a religião que professa inclui a misericórdia, o cuidado, o amor libertador, valores espirituais elevados para muito acima da religiosidade comum, sem misericórdia, sem sentimentos, catártica, regulamentar, preceitualista.  Jesus não pratica essa religião. Ao contrário, combate a religião moralista que impede a abertura para o outro, ou para a comunidade em si. Para ele, amar é libertar. O corpo doente obstaculiza a vida plena e o próprio amor. Jesus não discute em nenhum lugar as ambiguidades de corpos e espíritos separados. Ou almas liberadas das enfermidades demoníacas de sua época. Ele simplesmente cura as pessoas, mereçam ou não seu cuidado. O Reino de Deus  está próximo&#8230; ele anuncia. O reino é a justiça que tudo alcança; é  compromisso com a causa de Deus, e  não uma abstração sobre o Mal e o Bem</strong>. Quando um usuário de drogas, ou um doente qualquer,  é curado diz: “fiquei limpo”. Concretamente, e não “espiritualmente”. Precisamos aprender com o Evangelho.</strong></div>
<div>
<p><strong>Os monges gregos ainda no começo da Idade Média diziam: “o espírito é para Deus, o corpo é para o imperador” (“espírito” é <em>nous,</em> e <em>soma </em>é “corpo”, no grego ático e no <em>koinê, </em>Novo Testamento). Mas isto não corresponde ao pensamento paulino  no NT (E.Käsemann). Nenhuma escola rabínica ensinaria tal coisa, e Paulo foi instruído na concepção rabínica. O modelo de espiritualidade religiosa que prevaleceu no cristianismo cultural não tem que ver com a revelação bíblica, mas sim com uma religião pagã do século 6 a.C.,“Religião Órfica da Trácia”. Porém, desde os primeiros séculos da era cristã essa concepção se tornou dominante no cristianismo histórico (Renold Blank). E prevalece no cristianismo ainda hoje.</strong></p>
<p><strong>Trata-se de cultura comum no mundo mediterrânico, onde o cristianismo teve início. Para as pessoas mais simples, desse modo, “o espírito é tudo, o corpo não vale nada; o espírito valoriza o corpo e a matéria degrada o espírito”. Assim, o modelo antropológico dualista (espírito separado do corpo) tem suas raízes numa cultura alheia à do povo bíblico. A depreciação do corpo prossegue com o equívoco (“carne” em oposição ao “espírito”). O Novo Testamento, porém, tem outro enfoque. Não absorver as razões culturais e ideológicas de um cristianismo aculturado já distante das fontes apostólicas do pensamento cristão primitivo sobre o ser e a vida. A concepção bíblica refere-se ao ser total, que é corpo, que é alma e que é espírito, finalmente entrelaçados e indivisíveis.</strong></p>
<p><strong>Adão (’<em>adam</em>), humanidade, coletivo de<em> </em>homens e mulheres (cf.: o feminino de Adão é <em>adamah</em>, terra fecunda), tem um corpo, começa a viver com o “alento”  do Criador. A intensidade da vida é variável, de momento para outro. Um enfermo e/ou um morto, são vidas, corpos debilitados, prejudicados, porque incompletos, privados das possibilidades do corpo sadio (2Rs 8,8; 10; 14,20 e 1-7; Gn 25,30 e 32; Is 5,27). Despertar, curar, ressuscitar o corpo, significa recuperar faculdades, dispor novamente de toda capacidade na vida oferecida por Deus. Isso aparece aos olhos do israelita como um bem inestimável do qual dependem todos os bens. Ou seja, a vida é a mais preciosa das bênçãos, nada é superior a poder-se viver com dignidade (Pv 3,16). A vida e o corpo são inseparáveis e indissociáveis.</strong></p>
<p><strong>Sob o tema, integridade espiritual do crente, Paulo discutirá com os cristãos coríntios o bom emprego das palavras “espírito” e “espiritualidade”. Quase sempre nos referimos a esta palavra pensando como os filósofos gregos, e não como o israelita, que nunca imaginou um possível estado de perfeição do espírito dissociado do corpo; que a abstração espiritual requer um afastamento do corpo; que fora do corpo e das realidades humanas é que se dá o melhor estado espiritual, aquele alcançado pela mortificação do corpo. </strong></p>
<p><strong>Essa concepção, além de tudo, não é uniforme, comparada à do evangelista Marcos e do apóstolo Paulo. Paulo prossegue nesta linha, como um bom israelita: <em>“quer comam ou bebam, ou que façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”</em>. Não só as atividades religiosas tradicionais têm a ver com essa espiritualidade, mas o comum do cotidiano de cada um e de todos “&#8230;<em>porque nós, embora muitos, somos um só corpo” </em>(1Cor 10,17; 10,31-11). Corpo! Esse acréscimo identifica outros aspectos, como os que envolvem a igreja, a comunidade, a sociedade e o crente. Somos o que somos porque somos um “corpo”, meu corpo é parte de outros corpos, da igreja, da comunidade, da sociedade, da coletividade humana. A unidade do corpo reconhece-se no <em>locus teologicus </em> que é a sociedade humana. Porém, ambos privilegiam a libertação integral do ser humano. A cura do corpo identifica a redenção alcançada no reinado de Deus. Aqui, o <em>socius </em>é o companheiro, irmão, membro integrante da mesma sociedade. Preocupar com o corpo é o mesmo que cuidar da responsabilidade de todos, sejam cristãos ou não.</strong></p>
<p><strong>Jesus é também representante do pensamento sobre a vida. Pensamento que prevalece na Bíblia Hebraica e se estende ao Segundo Testamento.  O israelita pensava que a vida não é simplesmente a existência, ou a experiência humana individual. A vida (<em>hayyîn</em>), na melhor tradição israelita, é algo definido no plural intenso da experiência em sociedade (R.Martin-Achard). Além do grupo religioso. Viver é mais do que “ser”, nenhuma abstração cabe aqui, nem racionalismos. Vida é sangue&#8230; “o sangue é a alma do corpo”, combustível concreto da vida, como o Deuteronômio dirá (12,23). A vida se confunde também com o “fôlego”, no momento da criação do ser-homem, quando Deus soprou nas narinas do homem “um fôlego de vida”.  <strong><strong></strong></strong></strong></p>
<p><strong><strong><strong>Jesus cura, não prega uma abstração sobre o mal da doença. Inclusive as doenças da sociedade humana.  Suas ações trazem libertação, porém libertação integral, espiritual e corporal ao mesmo tempo. Seu modo de expressar a missão do Reino inclui a misericórdia, o cuidado, o amor libertador pelos enfermos, valores espirituais elevados para muito acima da religiosidade comum, sem misericórdia, sem sentimentos, catártica, preceitualista. Tiago reforçará: &#8220;a religião verdadeira é a misericórdia&#8221;.</strong></strong></strong></p>
<p><strong>Derval Dasilio</strong></p>
<p><strong>Livro: <a href="http://www.metanoiaeditora.com/galeria/category/7-evento-05.html">O Dragão que habita em nós, Metanoia, 2010</a></strong></p>
</div>
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	</item>
		<item>
		<title>Omissão &#8211; 5o. Domingo do Tempo Comum &#8211; (depois da Epifania)</title>
		<link>https://dasilio.wordpress.com/2012/01/30/omissao-5o-domingo-do-tempo-comum-depois-da-epifania/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 13:18:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Derval Dasilio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[5o.DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO “B” Isaías 40,21-31 – Deus é fiel, apesar de tudo Salmo 147, 1-11;20c – O Senhor sempre amparará o pobre     1Coríntios 9,16-23 –  Lutar contra a ganância, é preciso Marcos 1,29-39 – Jesus cura, salva e liberta o ser inteiro Não se pode falar do sofrimento e da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=343&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://wp.me/p1rHHg-5x"><img class="alignleft size-full wp-image-344" title="mal falar.ouvir.ver" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/01/mal-falar-ouvir-ver.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a><a href="http://dasilio.wordpress.com/2012/01/30/omissao-5o-dom…is-da-epifania/">5o.DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO “B”</a></strong></p>
<p><a href="http://dasilio.wordpress.com/2012/01/30/omissao-5o-dom…is-da-epifania/"><strong>Isaías 40,21-31 – Deus é fiel, apesar de tudo </strong><br />
<strong>Salmo 147, 1-11;20c – O Senhor sempre amparará o pobre    </strong> </a><a href="http://dasilio.wordpress.com/2012/01/30/omissao-5o-dom…is-da-epifania/"><br />
<strong>1Coríntios 9,16-23 –  Lutar contra a ganância, é preciso</strong> </a><a href="http://dasilio.wordpress.com/2012/01/30/omissao-5o-dom…is-da-epifania/"><br />
<strong>Marcos 1,29-39 – Jesus cura, salva e liberta o ser inteiro</strong></a></p>
<p><strong>Não se pode falar do sofrimento e da origem do mal sem tocar na jóia literária que é o livro de Jó.  O que é o mal, um problema metafísico? O mal é uma constante da vida humana? Uma reflexão sapiencial sobre problemas insolúveis, mistérios insondáveis que a Bíblia Hebraica reconhece, o eterno problema do mal? Pecados estruturais denunciam-no. Um problema da “teodicéia”, como reflexão filosófica que se esforça por demonstrar a existência de Deus, não é suficiente. Mas a questão tem outro enfoque, na teologia do apóstolo Paulo. Se temos avançado, no plano tecnológico, científico, falta-nos a sabedoria fundamental para ver, ouvir, falar com clareza do mal que nos cerca.<br />
</strong></p>
<p><strong><strong>O mal não é uma abstração.</strong> Na sociedade perversa, violenta; na economia que produz riqueza para poucos, nas desigualdades, quando se distribuem os bens sociais em migalhas para um contingente populacional gigantesco. A maior parte dos brasileiros. Vemos, ouvimos e falamos corretamente da realidade concreta do sofrimento?</strong></p>
<p><strong>A palavra de Cristo situa os cristãos entre realidades conflitantes, excludentes à primeira vista. Um mundo de desigualdades gritantes, assassinatos, exploração ou abandono de doentes, violência contra moradores de rua, doenças sexuais ou doenças sazonais, fome, desemprego; um mundo onde falta habitação, saúde pública, escola, hospitais, em contraste com o outro, perverso, estrábico, prospero e <strong> egoísta</strong>. Um chora de sofrimento, outro dá gargalhadas no gozo do que há de melhor. A palavra de Jesus, no entanto, é para os sofredores: &#8220;Bem-aventurados os que choram&#8221;; “No mundo terás aflições; coragem, porém, eu venci o mundo”.  Ele nos convida a verificar, examinando com atenção a intensidade e o agravamento do sofrimento humano nos dias de hoje.</strong></p>
<p><strong>Como no Salmo 73,  o mesmo enfoque de Jó, a experiência de Deus nos leva à sinceridade e honestidade sobre nossas visões do mundo (Paulo Rückert), deveríamos ser capazes de enfrentar a inveja e a ganância que nos sobrevêm ao observarmos o  sofrimento do fraco e o sucesso dos “perversos”: eles têm riqueza, bem-estar garantido nos níveis que implicam em saúde, previdência social, escolaridade em todos os graus, habitação e lazer. Os perversos têm tudo, e suscitam inveja, enquanto desfrutam a vida como se estivessem em férias de verão permanentes: praia, suor e cerveja&#8230; </strong></p>
<p><strong>A prática da cura, a luta contra o mal, nas ações de Jesus, tem a ver diretamente com a liberação do ser inteiro para a vida plena (Mc 1,29-39). Não há divisões, dicotomias, ambivalências, duplicidades, no intento de Jesus em curar alguém. Os evangelhos jamais falam que Jesus salvava almas separadas do corpo (ou dos corpos&#8230;), em favor do espírito das pessoas. Recuperar a saúde de alguém é recuperar o corpo, a capacidade de trabalhar, de produzir, de alcançar dignidade, possibilitando-se a reintegração social do doente, geralmente considerado um peso para a sociedade. Curar é salvar e libertar.</strong></p>
<p><strong>Mas o comum, ao tempo dos apóstolos, e de Jesus, era que os enfermos fossem considerados “possuídos por maus espíritos”. Os alijados, excluídos, não se atreviam a aproximar-se, o mesmo ocorria com os membros “sãos” da sociedade, também não olhavam os desgraçados e doentes. Jesus  contrariava as regras, dispunha-se a servir os mais fracos com dedicação e cuidado, para curá-los. </strong></p>
<p><strong>Ser cristão, entre muitas coisas, é também lutar contra o mal, seja o que origina a desigualdade e exclusão, seja o que impõe a marginalização social, dividindo as pessoas em indivíduos de primeira, segunda e terceira classes. Num mundo que experimenta indicadores escabrosos de miséria, enfermidades endêmicas e  fome, anunciar o Reino de Deus é uma tarefa de suma importância. A omissão é intolerável.<br />
</strong></p>
<p><strong>Não há luz sobre 13 bolsões de miséria escondidos, no país; 600 municípios, sem urbanização, hospitais, escolas; 20 milhões de pessoas vivendo sob todas as fomes do mundo…  municípios carecem dos mínimos recursos modernos, como eletricidade, água potável, esgotos sanitários, escolas razoáveis; pessoas cujas rendas diárias per capita média não ultrapassa 2 reais. Nas periferias das cidades e metrópoles 90 milhões conhecem o mesmo sofrimento, as mesmas doenças, as mesmas desigualdades. O palco não foi desmontado. </strong></p>
<p><strong>Torna-se importantíssimo reagir às teologias salvacionistas que “espiritualizam” a pobreza e a miséria, e a teologia da ganância que explora a pobreza com falsas bem-aventuranças (Maria Lucia de A.Gama). Elas são motivo de sofrimento para muitos, milhões de brasileiros. Repetem-se as atitudes dos adversários de Jesus, omissão intencional, que recusavam-se a ver o pecado estrutural da sociedade, gerador de insanidades, desigualdades, violências, enfermidades de toda ordem. Tentavam impedi-lo de salvar e libertar, quando estava demonstrando que na pessoa doente estavam cristalizados todo os males deste mundo. Especialmente aqueles que vêm da má consciência sobre os  verdadeiros e concretos problemas humanos, quando se negam suas origens e responsabilidades. </strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/dasilio.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/dasilio.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/dasilio.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/dasilio.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/dasilio.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/dasilio.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/dasilio.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/dasilio.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/dasilio.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/dasilio.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/dasilio.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/dasilio.wordpress.com/343/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/dasilio.wordpress.com/343/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/dasilio.wordpress.com/343/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=343&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>COMO PILATOS&#8230; 4o. Domingo do Tempo Comum (depois da Epifania)</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 14:25:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Derval Dasilio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[4o.Domingo do Tempo Comum (Depois da Epifania) – Ano  “B”                                                                                                                                        Deuteronômio 18,15-20 – A Lei é  dádiva  em nome  da misericórdia de Deus                                                                           Salmo 111 –  As obras do Senhor são a verdade e a justiça                                                                                                                  1Coríntios 8,1-13 – “&#8230;pecam golpeando a consciência fraca dos irmãos”                                                                                               Marcos 1,21-28 – “Que temos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=331&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/01/tormento-humano-orac3a7c3a3o-jpg.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-332" title="TORMENTO HUMANO - ORAÇÃO jpg" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/01/tormento-humano-orac3a7c3a3o-jpg.jpg?w=86&#038;h=150" alt="" width="86" height="150" /></a><a href="http://wp.me/p1rHHg-5l"><br />
</a> <strong><a href="http://wp.me/p1rHHg-5l">4o.Domingo do Tempo Comum (Depois da Epifania) – Ano  </a><strong><a href="http://wp.me/p1rHHg-5l">“B”</a><br />
</strong>                                                                                                                                       </strong><br />
<strong>Deuteronômio 18,15-20 – A Lei é  dádiva  em nome  da misericórdia de Deus                                                                          </strong><br />
<strong>Salmo 111 –  As obras do Senhor são a verdade e a justiça                                                                                                                 </strong><br />
<strong>1Coríntios 8,1-13 – “&#8230;pecam golpeando a consciência fraca dos irmãos”                                                                                              </strong><br />
<strong>Marcos 1,21-28 – “Que temos contigo, Jesus Nazareno”?</strong></p>
<p><strong> &#8221;A droga é como o pecado de Adão, sempre existiu&#8221;; &#8220;a ONU declarava guerra à droga estimulada pelo moralismo religioso dos EUA&#8230;” “Guerra à droga?, a paz com usuários é que deve ser buscada&#8221;, diz o sociólogo <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Hz0EWwC-hug">Fernando Henrique Cardoso</a> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=7THf6ymhnvg&amp;feature=related">(Documentário: Quebrando o Tabu).</a> Toda guerra favorece à indústria da morte. Envolve interesses econômicos e oportunismo políticos. Matar, anular, castrar, reprimir, excluir, dessocializar, é o nome da guerra à droga. Quem lucra são os traficantes, o crime organizado e a polícia corrupta que não sobrevivem sem a droga. Quem não pensa nas consequências sobre a família, a comunidade, a sociedade,  a coletividade, necessita saber da &#8220;pacificação&#8221;  diante das drogas, e não da guerra. Paz com as drogas significa compaixão, inclusão, aceitação, cuidado, misericórdia. Doentes precisam de tratamento e não de cadeia, onde a droga é liberada e consumida à luz do dia (Dráuzio Varella). Hospitais, ambulatórios, medicina da saúde, são direitos humanos que devem ser buscados.</strong></p>
<p><strong>A capacidade de discernir cada situação particular foi uma das coisas que as multidões mais admiravam em Jesus (Mc 1,21-28). Enquanto os mestres da religião respondiam com explicações detalhadas, exaustivas, citando códigos, leis, regulamentos, preceitos e doutrinas, Jesus respondia com a verdade simples e cristalina. Estava interessado em cada situação particular do ser humano, especialmente aquelas referentes ao tolhimento da liberdade e negação de direitos fundamentais. O tormento moralista no controle das consciências impedia, como ainda impede, a espontaneidade da fé enquanto esconde a compaixão e a misericórdia. O interesse moralista não encobre a  ideologia do poder, do controle político ou religioso das massas. Muitos movimentos e grupos religiosos mostram interesse pelo indivíduo enquanto servem como prosélitos de causas materialistas, mercadológicas, sem fraternidade (filia), sem comunhão (koinonia) e sem serviço ao próximo (diaconia). Jesus declarou-se abertamente contra  a idolatria da letra morta, ou seja: a lei moralista; manifestou-se contra o sábado (“&#8230; o homem não foi feito para o sábado”; ninguém foi feito para a lei!) e exigências que ignoram o ser humano e suas necessidades; pronunciou-se contra os costumes, prescrições que engessam a misericórdia, o cuidado, o serviço ao próximo. Enfim, Jesus se prontificava a combater a religião sem misericórdia e solidariedade, porque esta omitia o essencial: o homem e suas carências. </strong></p>
<p><strong>Diante da repressão e violência inaceitáveis contra pessoas doentes ou drogadas, em dez anos Portugal reduziu drasticamente o consumo de drogas tratando o usuário de como paciente tratamento médico e não como criminoso (52% deixam a droga). Enquanto isso reduzia o campo de atuação do traficante. A saúde pública incluía substitutivos da droga clandestina nos receituários de pacientes usuários de drogas; busca a aproximação espontânea do doente, não a repulsa e a repressão; dizia não aos riscos da clandestinidade, fazia o papel da medicina regular, que se abre ao que quer ser tratado. Ou seja, a maioria dos usuários.</strong></p>
<p><strong>Para o Evangelho, o endereço   poderia ser o despoderado (anawin), encurvado, dobrado pelas circunstâncias, humilhado pela própria vida, na Bíblia Hebraica, e no Novo Testamento (ptochos), são os ignorados e desprezados pela própria sociedade. Como o usuário de drogas. A sociedade religiosa é a primeira a excluí-lo e  identificá-lo como pecador e eximir-se de culpa pela injustiça que sofre. Ou seja, a compaixão escapa aos regimentos e declarações doutrinais. Devemos nos surpreender  com isso, uma vez que a sociedade, biblicamente, é casa, lar, oikos, como a igreja. O socium é o companheiro, um irmão de grupo numa mesma sociedade eclesiástica. Essas duas realidades fundamentais de todos os seres humanos encontram o sofredor  no usuário de drogas, no deficiente, no portador de HIV, no oprimido pelas enfermidades físicas ou sociais (tabagismo, alcoolismo, drogadismo, sexoaholismo, etc.), no meio e junto ao grupo maior responsável pelo todo, ou  à coletividade humana.</strong></p>
<p><strong>O seguimento de Jesus envolve a Salvação, antes que qualquer condenação humana, como é comum nos nossos dias. Seguir a Jesus é um exercício constante de humildade. &#8220;Propôs Jesus esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, como se fossem justos, e desprezavam os outros: Subiram dois homens ao templo para orar: &#8211; um fariseu, e outro um popular. O fariseu orava de pé (com suposta autoridade), e dizia assim: Graças te dou, ó meu Deus, por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos, adúlteros (e drogados, tabagistas, alcoolistas&#8230;). E não ser também (moralmente) como um homem comum. Eu, por mim, (religioso convicto) jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo. Apartado a um canto, o popular nem sequer ousava erguer os olhos para o céu; batia no peito, e exclamava: Meus Deus, tem piedade de mim, pecador. Digo, acrescentou Jesus, que este voltou justificado para sua casa, e o outro não, porque todo aquele que se exalta será humilhado, e todo aquele que se humilha será exaltado.&#8221; (Lucas, 18:9-14).</strong></p>
<p><strong>Precisamente por isso, Jesus luta contra os demônios que dominam a consciência social (sistemas de pensar: da religião, da política, da economia, da cultura, da justiça civil). Lutou contra as ideologias instaladas nas sinagogas, no Templo e na sociedade. Jesus não se identificou com propósitos religiosos moralista no combate às doenças socializadas; não aprovou oportunistas, exploradores da credulidade popular, invadidos por “espíritos imundos”. “Hipócritas”, “túmulos caiados”, “tira primeiro a trave do teu olho, antes de julgares”, são imprecações de Jesus dirigido aos condutores da sociedade civil ou religosa. O povo simples se encantava com a ousadia de Jesus expondo à luz do dia a ideologia religiosa reinante, a mesma que sustenta pessoas e grupos nos dias de hoje, propondo regras com ênfase moralista.</strong></p>
<p><strong>Como dizia alguém, talvez Oscar Wilde, “o moralismo é o último refúgio de um canalha”, exatamente porque é suficientemente abrangente para deixar todas as patifarias, corrupções, protegidas, ao abrigo de um suposto interesse coletivo por justiça  ou transparência. O político evangélico é ardoroso, contra a inclusão homossexual; usa a camisa preta contra a pedofilia, na campanha, e é pego pelo Ministério Público roubando do erário sem qualquer pudor, mas permanece impune. O mais inexpugnável dos inimigos da justiça é o falso moralista, o oportunista de quaisquer matizes, ideológico, partidário, intelectual, político, religioso. Em todos os moralistas existe a voracidade insaciável e destruidora de uma “aids social”, de um “câncer dos costumes” (Wagner Siqueira) , como se diz da droga.</strong></p>
<p><strong>Que faremos, para seguir Jesus? Ouviremos suas propostas, ou ouviremos os encantadores de multidões com o brilho grosseiro das ideologias de poder, do moralismo e outras modas que vão e voltam nas comunidades eclesiásticas? Prefere-se aplacar a consciência religiosa do pecado, do mal, que o vício representa? Faz-se uma declaração sobre o assunto, regulamentando a condenação e exclusão da vítima, e acredita-se cumprido o papel eclesiástico diante da   sociedade civil? Essa é a religião de Pilatos&#8230; Aliás, é lavando as mãos que Pilatos entra no Credo das igrejas cristãs. O caráter normativo do Evangelho há de nos lembrar: o Reino de Deus está diante nós. Aos perseguidos, discriminados, pobres, desfavorecidos, desgraçados e enganados deste mundo, o Reino é anunciado&#8230; e “bem-aventurado é aquele que não se escandalizar com a minha causa” (Lc 7,23). Aqui, nesta passagem, se expressa o centro vital da mensagem de Jesus.</strong></p>
<p><strong>É esse o sentido que Jesus dará à sua hermenêutica fundamental: preservar a vida, a dignidade das pessoas, a intimidade e liberdade de cada ser humano. Traduzidos na observação dos direitos humanos fundamentais. Isso significa que Jesus sabia das palavras de Jeremias: “(&#8230;) cada um levará a Lei  no coração”. Ou seja, terá consciência da justiça. A Lei não é uma obrigação, mas uma dádiva orientadora para todo o povo. Envolve o uso da terra, da moradia, do trabalho, da responsabilidade social para com os oprimidos e esmagados deste mundo.</strong></p>
<p><strong>Derval Dasilio</strong></p>
<p><strong>Pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil</strong></p>
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		<title>CONVERSÕES &#8211; 3o. Domingo do Tempo Comum [depois da Epifania]</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 17:11:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Derval Dasilio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[CONVERSÕES &#8211; 3º Domingo do Tempo Comum – Ano B   Jonas 3, 1-5.10 – Os ninivitas converteram-se a contra-gosto do profeta                   Salmo 62,5-11 – Minha alma espera em silêncio             1Coríntios 7, 29-31 – As coisas passam, neste mundo         Marcos 1,14-20 – Convertei-vos e crede no Evangelho!  A conversão consiste em mudar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=315&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/01/curando-e-alimentando.jpeg"><img class="alignleft  wp-image-316" title="Curando e alimentando" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/01/curando-e-alimentando.jpeg?w=168&#038;h=104" alt="" width="168" height="104" /></a><strong>CONVERSÕES &#8211; 3º Domingo do Tempo Comum – Ano B  </strong><br />
<strong>Jonas 3, 1-5.10 – Os ninivitas converteram-se a contra-gosto do profeta                  </strong><br />
<strong>Salmo 62,5-11 – Minha alma espera em silêncio            </strong><br />
<strong>1Coríntios 7, 29-31 – As coisas passam, neste mundo        </strong><br />
<strong>Marcos 1,14-20 – Convertei-vos e crede no Evangelho!  </strong></p>
<p><strong>A conversão consiste em mudar de religião ou simplesmente adotar a causa de Jesus? O conceito de conversão necessita também alguma reformulação entre os próprios cristãos. O evangelho de hoje é, por assim dizer, “o primeiro sermão de Jesus”. Marcos o coloca ao início de seu evangelho como um manifesto programático. Possui todos os elementos centrais do que vem a ser a pregação  de Jesus. Todo o evangelho põe em relevo a importância central do Reino de Deus na missão de Jesus (“buscai em primeiro lugar o Reino”; a proposta de Deus para transformar o mundo e seus pensares religiosos, políticos, econômicos&#8230;). O Reino não é mais um elemento, mas o centro da pregação de Jesus. Se não se entende isto, não se entende, nem se entende o que é ser cristão e discípulo de Jesus. Ser religioso não representa garantia alguma, pois a própria religião à qual pertenciam Jesus e os Apóstolos recusou e julgou-o.</strong></p>
<p><strong>Jonas 3, 1-5.10 &#8211; Esta leitura do livro do profeta Jonas (história contada com datação provável no III séc. a.C.; trata-se de um livro “rebelde”, entre outros, ao judaísmo formativo e suas ênfase racistas, legalistas, e ênfase numa eleição exclusivista), prepara a leitura do evangelho de Marcos, que será centro do lecionário ao longo de todos os domingos do tempo comum depois da Epifania. Como Jesus, Jonas também é enviado por Deus a proclamar sua salvação, a chamar todos os povos e raças à conversão. Que conversão? Certamente ao projeto de Deus para toda a humanidade. Recordemos que os escritores bíblicos não sabiam dos povos distantes do Oriente (Índia, China, etc.), nem sabiam dos povos do Continente australiano ou americano.</strong></p>
<p><strong>Como Jesus, Jonas também experimenta a fragilidade humana (Mateus 4), a tentação de fugir, de não carregar o peso da vontade de Deus que se lhe oferece. Finalmente Jonas vai à cidade pagã de Nínive, a grande capital do império assírio, 700 anos antes de Cristo, e proclama, como Jesus, mais tarde, a vinda salvadora de Deus, ante a qual não resta outra atitude que a de converter-se à vontade de Deus (e não à lei, como querem muitos evangélicos e judeus, simultaneamente).</strong></p>
<p><strong>Jonas é uma denúncia contra todo nacionalismo, centralismo, fundamentalismo, anti-ecumenismo, integrismo, racismo, exclusivismo religioso que pretenda excluir a qualquer ser humano da Graça amorosa de Deus Pai. O pequeno livro de Jonas foi escrito numa época difícil para o povo judeu, quando se sentia a tentação de fecharem-se privilégios religiosos, considerando-os como escolhidos exclusivos. Ao retornarem do exílio, e já reorganizando a nação em torno de uma religião dura, implacável, com ênfase no legalismo religioso. Ali nasceu o fundamentalismo bíblico-religioso ressuscitado recentemente entre evangélicos e católicos, por isso cristãos, para afirmarem o falso exclusivismo, numa hermenêutica da eleição do povo bíblico exclusivamente como tal, adotam a exclusão social, leis racistas, homo e heterofóbicas, interna  e externamente.</strong></p>
<p><strong>Também sofreram a tentação de condenarem todos os demais povos, os quais não partilhavam de sua cultura, de sua fé religiosa e de sua história. Através de Jonas, Deus está dizendo aos judeus que sua salvação há de ser partilhada com todas as nações, inclusive com as nações opressoras, como fora a nação dos assírios. Lição de universalismo, de máxima tolerância, de ecumenismo e de abertura amorosa aos braços de Deus.  A religião exclui, mas Deus deseja acolher todos os seres humanos em sua casa (Jesus disse: “Na casa de meu pai há muitas moradas&#8230;”). Algo tão válido em nossos tempos de exclusivismos e fundamentalismos, como nos velhos tempos do Antigo Testamento.</strong></p>
<p><strong>Marcos 1, 14-20 &#8211; Depois de narrar o início do evangelho com João Batista batizando a Jesus, com a unção messiânica de Jesus no rio Jordão e com suas tentações no deserto, Marcos relata o início da atividade pública de Jesus: é o humilde carpinteiro de Nazaré que agora percorre sua região, a próspera, mas mal falada Galiléia, pregando nas aldeias e cidades, nas encruzilhadas do caminho, nas sinagogas e nas praças. Sua voz chega a quem quer ouvi-lo, sem exigir nada em troca. Uma voz clara e vibrante como a dos antigos profetas. Marcos resume todo o conteúdo da pregação de Jesus nestes dois momentos: o reinado de Deus começou – pois terminou o prazo de sua espera; perante o reinado de Deus só cabe converter-se à causa de Jesus, o Reino de Deus, acolher e aceitá-lo com fé.</strong></p>
<p><strong>De que rei falava agora Jesus? Daquele anunciado pelos profetas e esperado com ânsias pelos justos. Um rei divino que garantiria a justiça e o direito aos pobres e aos humildes, e excluiria de sua vista os violentos e opressores. Um rei universal que anularia as fronteiras entre os povos e faria confluir a seu monte santo, Sião, a todas as nações, inclusive as mais bárbaras e sanguinárias, para instaurar no mundo uma era de paz e fraternidade, só comparável à era paradisíaca relatada no gênesis.</strong></p>
<p><strong>Este reinado de Deus que Jesus anunciava há 2.000 anos pela Galiléia continua sendo a esperança, de todos os pobres e oprimidos da terra, e está em andamento desde que Jesus o proclamara. Os que o seguem anunciando seus discípulos, os que Ele chamou em seu seguimento para confiar-lhes a tarefa de “pescar”, trazendo às redes do Reino os seres humanos de boa vontade. É o reino que a Igreja deveria proclamar (mas ela reverte a ordem: de coadjuvante quer ser protagonista do Reino, como autoridade religiosa, em equívoco histórico escabroso e inaceitável teologicamente). A tarefa pertence  aos cristãos do mundo se empenham em preparar o Reino de mil maneiras, reflexos da vontade amorosa de Deus: curando os enfermos, dando pão aos famintos, acalmando a sede dos sedentos, ensinando aos que não sabem, perdoando aos ofensores e acolhendo-os na mesa fraterna da comunhão; denunciando com palavras e atitudes os violentos, opressores e injustos. A nós corresponde, como Jonas, Paulo, retomar as bandeiras do reinado de Deus e anunciá-lo em nosso tempo </strong>[Gravura: Cerezo Barredo]<strong>.<br />
</strong></p>
<p><strong>Derval Dasilio</strong></p>
<p><strong>Pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil</strong></p>
<p><strong>Calendário Litúrgico &#8211; Ano B<br />
</strong></p>
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		<title>VOCAÇÕES &#8211; 2º Domingo do Tempo Comum – Ano B</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 14:35:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Derval Dasilio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[2º Domingo do Tempo Comum – Ano B 1Samuel 3,1-20 –  Tu me chamaste, eis-me aqui&#8230; Salmo 139,1-6;13-18 &#8211; Senhor, tu me sondas e me conheces 1Coríntios 7,29-31 –  Sois o “templo” de Cristo. João 1,43-51 – A quem buscais? Venham, vejam. Nos dias atuais nossas relações estão cheias de interferências, ruídos perturbadores que afetam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=301&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/01/2o-dom-vocac3a7c3b5es.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-310" title="2o.Dom.vocações" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/01/2o-dom-vocac3a7c3b5es.jpg?w=120&#038;h=150" alt="" width="120" height="150" /></a></strong></p>
<p><a href="http://dasilio.wordpress.com/2012/01/10/vocacoes-2o-do…po-comum-ano-b/"><strong>2º Domingo do Tempo Comum – Ano B<br />
1Samuel 3,1-20 –  Tu me chamaste, eis-me aqui&#8230;<br />
Salmo 139,1-6;13-18 &#8211; Senhor, tu me sondas e me conheces<br />
1Coríntios 7,29-31 –  Sois o “templo” de Cristo.<br />
João 1,43-51 – A quem buscais? Venham, vejam.</strong></a></p>
<p><a href="http://dasilio.wordpress.com/2012/01/10/vocacoes-2o-do…po-comum-ano-b/"><strong>Nos dias atuais nossas relações estão cheias de interferências, ruídos perturbadores que afetam a voz interior vocacional. A capacidade de escutar o que Deus quer nos dizer é frequentemente perturbada por outros sons, como as guitarras e as baterias da música gospel (um flagelo que vai tomando conta do culto evangélico), o apelo carismático que aponta “dons” ministeriais bem estranhos às tradições do cuidado com a formação teológica para o culto, o ensino e a pregação. O preparo bíblico nos seminários parece andar capengando, a julgar pela visão teológica de alguns, perdida no fascínio por modismos carismáticos ou apologéticas fundamentalistas, que refletem o ajustamento à mediocridade teológica que vem tomando conta de nossas comunidades.</strong></a></p>
<p><strong>Jovens que passam o tempo ouvindo mp3, iPod, cativos da “cultura gospel”, hoje, diferem muito do que era um jovem “presbiteriano”, &#8220;anglicano&#8221;, “metodista” ou “batista”, de duas décadas atrás. A maioria jovem pluralista evangelical, hoje, sabe o nome das “divas” do gospel recente (Ana Paula Valadão é a pastora mais admirada por jovens evangélicos, mas perde o primeiro lugar para o midiático Silas Malafaia); cita de cor o nome das bandas gospel, mas não sabe quantos livros tem a Bíblia; quantos e quais são os livros dos profetas; o que é a Torá judaica no AT ou a que parte da literatura bíblica está vinculado o livro dos Salmos. Menos ainda, personagens evangélicos decisivos como John Wesley, Cranmer, Calvino, John Knox e Lutero (Tomaz Münzer seria pedir demais&#8230;), não representam nada nesse ambiente novo da juventude evangélica.</strong></p>
<p><strong>A vida dos mais pobres – devíamos dizer dos “sem-cidadania” – não tem nenhum valor. Não contam para a sociedade, que cada vez mais se parece com as do mundo chamado desenvolvido. A massa de pivetes, crackeiros, traficantes de cocaína, vê nos ricos  apenas consumidores de drogas, e “trabalham” pra valer para atendê-los. Formam-se vocações para assaltantes, estupradores, assassinos gratuitos, à margem e ao mesmo tempo dentro da sociedade que dela parece depender. <strong>Chico Buarque ironiza o comportamento desses “agentes do consumo”:  “Quando, seu moço /nasceu meu rebento / não era o momento / dele rebentar / já foi nascendo / com cara de fome / e eu não tinha nem nome / pra lhe dar”.</strong> Conheço o caso concreto da jovem rica do Leblon, com nome de celebridade, cujos pais vivem a maior parte do tempo na Europa gastando eurodólares, que conhece todos os pontos de venda de droga do Vidigal, e dos inferninhos da zona sul, no Rio.<br />
</strong></p>
<p><strong>Um mundo agonizante, como diria Hannah Arendt, criado pelo desvario quanto ao sentido da vida, onde a insensatez é constantemente renovada. Chocante, no Brasil, não é tanto a truculência das agressões noticiadas ao lado dos casos de milionários jogadores de futebol que não sabem o que fazer da vida, enquanto alugam patentes militares como segurança ou quebra-galhos nos seus frequentes deslizes. Chocante é a ausência de indignação com tudo isso. A tragédia da salvação individual gera desconforto com os problemas do trânsito, onde mortes violentas são cometidas diariamente por membros das classes bem-postas, mas desconhece bolsões de fome, miséria e doença, nas metrópoles e no interior do país (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=GYHMC_itckg&amp;feature=player_embedded#!">cf.vídeo</a>).</strong></p>
<p><strong>O ideal da “boa vida” oferecida aos jovens paralisa-os num estado de ansiedade permanente, responsável, em grande parte, pela incapacidade que têm de olhar para outra coisa que não a si mesmos (já começou o Big Brother/2012 com transmissão 24 hs/dia no canal Multishow). A rede de atendimento aos “famintos de felicidade” tornou-se um negócio rendoso, e os usuários, para mantê-la, exigem mais exploração dos que já são super-explorados. Ecstasy, viagra e fast-food são símbolos da excitação permanente em que se mantém os jovens (Dasílio, Pedagogia da Ganância, em preparo).</strong></p>
<p><strong>É expressiva a multidão de “especialistas” em felicidade sexual, amorosa e química que, em coro, propagam e reforçam na mídia o mito da salvação individual, num Brasil moderno, informatizado, liberalizado eticamente e com todos os problemas resolvidos, de antemão, pelas leis do mercado. Há receitas e locais de aviamento para quem quiser. Notória, a cultura narcísica no Brasil, &#8220;acha&#8221; o país o melhor do mundo: nosso futebol, nossas praias lindas; nosso cachorro é o mais manso, nosso gato tem o pelo mais macio, nosso passarinho canta mais bonito, e agora nos faz arrotar como potência econômica entre o cinco maiores do mundo.  Tudo isso fez com que os afortunados se apaixonassem pelo lixo e as inutilidades que produzem, tornando-se seus cúmplices e reféns.</strong></p>
<p><strong>Criou-se um círculo vicioso, onde a demanda por cuidados com a juventude, a beleza, a forma física, a realização sexual e o bem-estar perene, substituem vocações para a vida  cidadã, responsabilidade social e solidariedade. Nutre-se da miséria econômica dos mais pobres, ou remediados, e alimenta-se da miséria psíquica dos ricos. Além do mais, paralelamente à inibição da esfera pública, a cultura   produz a desagregação das próprias instituições encarregadas de proteger o parco quinhão da “felicidade de shopping-center”  (Jurandyr Freire). O cenário dramático dos que vivem com 2 “real” por dia, no Brasil, ou à custa da bolsa-família (paliativo provisório em caráter de esmola social, porém com certo valor &#8212; melhor ter que não ter &#8211;; trabalho, saúde assistida com qualidade, urbanização humanizada, são mais importantes, para se evitar a pobreza  viciosa, dependente e a imobilidade: &#8220;ninguém se liberta sozinho&#8230;&#8221; &#8211; Paulo Freire); a ignorância sobre 13 bolsões de miséria, 600 municípios, sem urbanização, hospitais, escolas, 20 milhões de pessoas vivendo sob todas as fomes do mundo&#8230; mostram que o palco não foi desmontado.</strong></p>
<p><strong>João 1,43-51 – Discípulos de João escutam-no expressar-se sobre Jesus, o “cordeiro de Deus”. Sem vacilações, na mesma forma ingênua do jovem Samuel (1Sm 3,1-20), sem perguntar, de antemão sabendo os significados dos compromissos e das mudanças em suas vidas, ao optarem pelo caminho de Cristo. O diálogo que se entabula entre os “vocacionados” e  Jesus é significativo: “Que buscas?”; “Mestre, onde vives?”;  “Venham e verão” (35-36; 39).  E logo são acolhidos.  O gesto simbólico diz muito: não basta proferir uma lição teórica sobre quem é Jesus, como forma de evangelização. É preciso testemunhar pessoalmente sobre os significados, os valores, o sentido da vida em comunhão com Cristo.  Seguir a Jesus é estar pronto para o impacto da experiência de Deus ampla e sem restrições, que envolve a vida imersa no mundo, por inteiro. João dirá, mais tarde, sobre uma oração de Jesus: “Pai, não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal”. As vocações existem e necessitam ser despertadas.</strong></p>
<p><strong>Natanael, depois de duvidar das qualidades do homem de Nazaré – lugar do interior palestino tradicionalmente desprezado pelos judeus, por questões históricas e raciais –, ouve sobre Jesus e convence-se de que ele é verdadeiramente o filho de Deus, o Messias esperado para mudar o mundo. O reinado de Deus está começando, muitos ouvem o chamado, conscientemente. A vivência do homem de Nazaré, testemunhando o projeto de salvação, de Deus, causa impacto na vida de qualquer um. Muitos se comovem, quando tomam conhecimento da abrangência da proposta de Deus de transformar o mundo, os pensares humanos; visão sobre o que acontece nos escalões do poder político; visão sobre partidos e governos que comandam o destino de milhões de pessoas; sobre  dirigentes comunitários vendidos, religiosos que manipulam votos dos crentes e tornam igrejas em “laranjas” de políticos corruptos, ensinando a roubar da nação. Visão para a compreensão da economia de um povo inteiro, suas necessidades, carências e urgências; para mudar o entendimento do papel não cumprido pelos legisladores e juízes, pastores do povo, mancomunados na opressão. Mudar o modo de ser religioso acompanhando e defendendo o modelo dos exploradores, em acordo com o poder e a cultura do opressor. Onde estão as vocações?</strong></p>
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		<title>Epifania &#8211; Ano &#8220;B&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 21:06:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Derval Dasilio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[EPIFANIA – Ano B    (2011-2012) &#8211; Tempo Comum Isaías  60,1-6  –  Que permaneça a Glória do Senhor                                Salmo 72 – Que todos os povos, todas as gentes, o  sirvam                     Efésios 3,2-6  –  Todas as gentes são herdeiras                                                                                                                                   Mateus 2,1-12  –  Os magos do Oriente acorrem para adorá-lo Um poema é cantado com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=282&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/01/2-epifania1.jpg"><img class="alignleft  wp-image-288" title="2.epifania" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2012/01/2-epifania1.jpg?w=164&#038;h=176" alt="" width="164" height="176" /></a></strong></p>
<p><strong>EPIFANIA – Ano B    (2011-2012) &#8211; Tempo Comum</strong><br />
<strong>Isaías  60,1-6  –  Que permaneça a Glória do Senhor                               </strong><br />
<strong>Salmo 72 – Que todos os povos, todas as gentes, o  sirvam                    </strong><br />
<strong>Efésios 3,2-6  –  Todas as gentes são herdeiras                                                                                                                                  </strong><br />
<strong>Mateus 2,1-12  –  Os magos do Oriente acorrem para adorá-lo</strong></p>
<p><strong>Um poema é cantado com desenvoltura (Is 60,1-6), explode em harmonia, força e beleza, em esplêndidas imagens, enquanto o entusiasmo se manifesta em alegria, como no Coro dos Nabucos de Wagner. Festeja-se uma “Luz” sobre Jerusalém, destinada à peregrinação dos povos. A cidade se transforma num símbolo de longo alcance, função de luz, referência do Monte de Sião. No sol permanente, sem ocaso, a aurora é tomada de um brilho permanente. Ocorre no meio uma reconstrução em torno da religião. À opressão, escravidão, noite das eras, escuridão universal, a sentinela anuncia a aurora (“Tal qual o guarda espera pela alvorada, assim minh’alma anseia por ti, ó Deus” – Sl 129).</strong></p>
<p><strong>Agora, o dia vai clareando, não no Oriente, mas sobre  todo o universo; todos se voltam para  contemplar a Luz; esta, na prática, convoca a todos para ser vista. Agora, põem-se em movimento os filhos dispersos, e os povos estrangeiros se oferecem para transportá-los (reis magos); um deslizar de navios, camelos enchendo o espaço das ruas, enquanto  o dia vai clareando em Jerusalém. Começa o trabalho da reconstrução da fé israelita (os últimos 400 anos quase a destruíram, e com isto, a acumulação de tesouros), substituída pelo racismo e legalismo, exclusivismo religioso. Passa o dia&#8230; e não vem a noite! O dia sem fim e luz, de vida  e  fecundidade, não termina. Um dia mais glorioso que aquele após a travessia do Mar Vermelho, o êxodo do Egito. Como possibilidade de escapar ao jugo romano, as portas da cidade não precisam mais ser fechadas ao anoitecer, não há mais o perigo da agressão&#8230; o trabalho diuturnamente continua, sem cansaço ou desânimo. É um tempo de “transfiguração”, a luz orientadora permanece sobre todos os viventes.</strong></p>
<p><strong>“Não temam” (Lc 2,8-20), a mensagem transmitida por anjos aos pastores, sobre a natividade, prossegue em sua validade, sem tempo de prescrição. Uma  fração significativa do mundo moderno, no século 21, clama por rasgos de audácia, denúncia, gestos de coragem, valentia, (des)corporativismo e desaprovação política; manifestações da força da fé e da solidariedade, sem amolecimentos que dissolvam a alma. De quê há medo? O comodismo e conforto a que estamos acostumados, resultados das tecnologias de bem-estar, na habitação, no transporte; nas comunicações e no lazer eletrônico; na segurança do trabalho bem remunerado, nos leva a ter medo do outro, o qual pode competir ou nos usurpar as  comodidades alcançadas? Por que construir condomínios verticais ou horizontais, bunkers  modernos de concreto, muros eletrificadas ou concertinas de arame farpado para nos proteger de um inimigo imaginário? Não será o medo da miséria, da invasão de uma legião de famintos para comer na nossa mesa (cf. Luis Buñuel, Viridiana, 1961: a falsa  caridade cristã abriga a hipocrisia da sociedade inteira; algo parecido como o que vimos alguns anos atrás:  levar favelados ao shopping center ultra sofisticado)?</strong></p>
<p><strong>Sem mutilar a soteriologia (<em>soter</em> = salvação) exposta no Evangelho, testemunhar os atos de salvação na  &#8220;epifania&#8221; de Jesus, Salvador e Libertador, significará sempre afirmar a fé perene e universal que dá sentido à existência e à unidade do mundo, como revelada nas Escrituras. O principal tema do livro de Colossenses é a importância de Jesus Cristo: &#8220;Cristo é tudo. Ele é nosso Senhor. A meta central e esperança do evangelho é que Cristo viva em nós (1,27); &#8220;Cristo é tudo em todos” (3,11). A sabedoria das outras tradições espirituais, portanto, tem uma percepção de Deus, em muitas situações, equivalente à dos cristãos, judeus e islâmicos, do mesmo tronco profético. Não sendo assim, por que o Evangelho chama a atenção para os “Magos do Oriente”? A presença de uma estrela nos sonhos humanos pode ser uma &#8220;epifania&#8221; de Deus? Quantas são as manifestações concretas da busca de liberdade e redenção na vida dos seres humanos, em todas as partes do mundo&#8230; muitas vezes fora de do meio religioso?</strong></p>
<p><strong>No tempo de Jesus, a desconfiança diante do pobre, estrangeiro que competia com nativos, crescia constantemente. Faz poucos anos, vimos manifestações na França, na revolta dos discriminados. O Brasil é anunciado, ainda agora, como a “quinta economia do mundo”. Deus aparece como justificador de comportamentos dominadores, autoritários, discriminadores ou excludentes. Aceitaremos estas formas de particularizar a Revelação de Deus? A nova política, para a qual não é mais o proletariado que carrega o sentido da história como queria Karl Marx, é próspera. Fala de bolsa-família para milhões, mas anda de Honda ou Toyota. Senadores e deputados  evangélicos milionários, aproveitam a chance. Não veem a fome endêmica, a desnutrição alimentar, as filas de doentes nos corredores dos poucos hospitais. Acredita que o papel da política, mesmo corrupta ou clientelista, em busca do lucro a qualquer custo, pronuncia que “o fim justifica os meios”. A visão do homem sem responsabilidade moral pode até justificar a irreversibilidade do mal, que “estaria sempre na classe social abastada”, mas é estrábica quanto as relações econômicas, diante das omissões e da opressão do poder. </strong></p>
<p><strong>Na visão medieval, é a graça de Deus que redime o mundo. No Brasil, é a política. Conceito complexo,  fugidio, abstrato, face à realidade da população pobre socialmente desassistida, faminta, doente, ignorada no partir do bolo da prosperidade econômica. Na redenção política, é sempre o coletivo, o grupo que está no poder que assume o papel de redentor. Provisoriamente, claro. Cabe a negação das mulheres violadas, crianças ainda morrendo como moscas, jovens morrendo por morte violenta aos 18 ou 20 anos, povos indígenas roubados em seus direitos ancestrais, imigrantes ilegais, como sobras à margem do crescimento econômico”. Dissemos com Drummond de Andrade: “vai ser <em>gauche</em> na vida”, e o mesmo poeta já descobria que “no caminho tinha uma pedra”, que é o espírito do capitalismo egoísta que não nos abandona.</strong></p>
<p><strong>Como atualizaremos a Epifania do Senhor nestes dias (Mt 2,1-12)? A partir do conceito já discutido no Segundo Testamento, que significa, hoje, sustentar o egoísmo  da idéia de “povo eleito”, tomada da tradição israelita, à força de uma afirmação da revelação inclusiva do mundo inteiro? Onde e como estranhos à tradição de Israel alcançariam a “salvação” por meio do Deus Salvador? A presença dos Magos nos mostra como podemos rechaçar a presença nova de Deus, não o reconhecendo nas situações de opressão, cerceamento e exclusão. A reprodução da atitude de Herodes e dos dirigentes israelitas daquela época frente ao recém-nascido reflete isso. Se quisermos aplicar uma hermenêutica adequada a esta história oriental.</strong></p>
<p><strong>Muitas vezes Emanuel, Deus-conosco, está agindo em outras visões e realidades que não as nossas. Especialmente do ponto de vista religioso. Pode ser que não estejamos entendendo muito bem a presença de uma “estrela” nos sonhos humanos como uma manifestação concreta do Deus Libertador, bênção para toda a humanidade, raças e povos, na forma do menino da estrebaria adorado por estrangeiros obscuros do Oriente. Reconhecidos nas várias raças e povos. Os Magos do Oriente devem representar nosso reconhecimento da Epifania de um Deus  que se apresenta livre para salvar a quem ele elege, e não o contrário. “O Espírito sopra onde quer” (Jo 3,3), acima de todos os impedimentos, barreiras, muros ou paredes doutrinais particulares. Afirmando o “Deus conosco” seríamos humildes, e não arrogantes, quanto à posse da “única” experiência possível da revelação de Deus.</strong></p>
<p><strong>A realização da bênção de Deus na história humana, como parte da “História da Salvação”, a &#8220;Epifania&#8221;, na liturgia cristã, mostra que Deus se dá a conhecer a muitas gentes, mais que isso: a todas as gentes, povos, religiões e culturas. Não só ao povo judeu. Não só aos discípulos do “movimento do Nazareno”. Os mais distantes, “do Oriente”, vislumbram a estrela mágica que orienta para o caminho onde se encontrará o Salvador. Os Magos do Oriente renderam-se à revelação de Deus no menino depositado no cocho da estrebaria de Belém.</strong></p>
<p><strong>Derval Dasilio   </strong><br />
<strong>Pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil</strong></p>
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	</item>
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		<title>NATALIDADE DO SENHOR &#8211; ANO &#8220;B&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 13:38:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Derval Dasilio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[DOMINGO APÓS O NATAL – ANO “B” Isaías 61,10-62;3 – Boa notícia para os que sofrem.                                 Salmo 148 –  A majestade do Senhor está acima dos céus e da terra.                              Gálatas 4,4-7 –  Por causa de Cristo podemos chamar o Senhor de Paínho (Abba).   Lucas 2,22-42 – Filho de Maria, filho da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=259&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><a title="domingo após natal.2011.anoB." href="http://dasilio.wordpress.com/2011/12/15/natalidade-do-senhor-ano-b/">DOMINGO APÓS O NATAL – ANO “B”</a></h2>
<p><a href="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/12/natal21.jpeg"><strong><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-271" title="natal2" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/12/natal21.jpeg?w=150&#038;h=123" alt="" width="150" height="123" />Isaías 61,10-62;3 – Boa notícia para os que sofrem.                                </strong><br />
<strong>Salmo 148 –  A majestade do Senhor está acima dos céus e da terra.                             </strong><br />
<strong>Gálatas 4,4-7 –  Por causa de Cristo podemos chamar o Senhor de Paínho (Abba).  </strong><br />
<strong>Lucas 2,22-42 – Filho de Maria, filho da terra&#8230;      </strong></a></p>
<p><a href="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/12/natal21.jpeg"><strong>O grande texto da Natalidade refere-se a uma adolescente judia, mãe solteira, numa sociedade patriarcal impiedosa. Mas lembra a mulher que, pelo menos, não tem responsabilidades nas decisões sobre os genocídios seguidos que caracterizam a cultura insensível ao infanticídio sistemático em todos os quadrantes. O cotidiano da fome, e da desnutrição infanticida, que tão bem conhecemos, não é estranho à Bíblia.</strong></a></p>
<p><strong>O nascimento de Jesus é anunciado a uns pastores que, como o menino nascido num estábulo, nada significa para a sociedade. Essa mesma que se locupleta de comidas caras, perus, lombos defumados, champanhe e vinhos finos, frutas cristalizadas, castanhas, nozes; que enche as sacolas de presentes e regalos festivos nesta data, como um excelente pretexto para o consumo de inutilidades, no natal pagão tradicional.  De fato, o que se quer esquecer é o aniversariante, o que Ele é e o que Ele representa. Contrariamente, esquecendo-o como membro da sociedade humana à margem do paraíso  social e tecnológico, ela o ignora.</strong></p>
<p><strong>A natividade do Senhor apontará o início histórico da vida de Jesus. Desde o início ele pertence ao escalão mais baixo do espaço que cabe aos nascituros indigentes, carentes, oprimidos pela pobreza, para onde  confluem todos os afluentes da miséria humana: os pobres de pão e de recursos culturais, enfermos do corpo e da alma, desprezados pela religião e pela sociedade. Polaridades perversas numa sociedade impiedosa. A realidade da <em>kenosis</em> (esgotamento, renúncia, despojamento, esvaziamento de posses e riquezas), espelha algo bem diferente do que a tradição apontava como realeza reconhecível, num Messias salvador, a não ser que o reconhecessem com “rei do lixo”.</strong></p>
<ul>
<li><strong>Jesus mergulha profundamente na miséria humana, em todas as suas formas. Experimenta tudo que é parte do sofrimento, expondo-se às catástrofes naturais – como ocorreu certa vez, num pequeno barco com seus discípulos, enfrentando um maremoto ou furacão – ; solidariza-se com mães que perdem filhos prematuramente, com viúvas que sofrem abusos; desespera-se com o absurdo assassinato político do primo e amigo; vive a tremenda solidão dos excluídos, catástrofes sociais, mendigos, moradores de rua, doentes, deficientes físicos e mentais; a dor física de todas as formas e graus de crueldade de uma sociedade impiedosa, como a cristã de nossos dias; a dor da exclusão política, cultural ou religiosa à qual  se diz: “nada temos a ver com isso”.(Andrés Queiruga).</strong></li>
<li><strong>O privilégio da hermenêutica cristã é apresentar o ventre disponível da mulher para uma grandeza libertadora, a partir do que lemos num poema delicado, sobre uma vila periférica, Belém, da importante Jerusalém, sede política e religiosa do povo. Deus intervém em nossa história humana para nos unir contra tudo que destrói o sentido original da humanidade criada. Maria entrega seu útero acolhedor para abrigar aquele que representa a misericórdia e o amor incondicional de Deus: a Graça se fez carne num ventre de mulher (Jo 1,14)!</strong></li>
</ul>
<p><strong>Maria representa a fé madura, fé verdadeira, fé que procura sentido. Maria não teve a fé  da religião cultural, das crendices, dos amuletos, das rezas e dos mantras que soam como gemidos e se perdem nos abismos humanos. Sua fé não é fácil, nem simplória. É uma fé que sabe das consequências dos compromissos com a justiça de Deus. Diferente de João Batista, o profeta decapitado por amor a essa mesma justiça, que nasceu na mesma casa familiar de Jesus, e cujo nascimento foi celebrado por parentes e vizinhos (Lucas1,57-58). Jesus nasceu no maior desamparo, nem sequer teve uma casa para nascer; nasceu na solidão desoladora de uma estrebaria, pois nenhuma pousada abrigaria seu nascimento numa noite fria do inverno palestino (Lucas 2,7). Este sofrimento foi causado pelos interesses da sociedade que pretendia esconder crimes contra a vida e a economia do povo, até o último centavo (Lucas 2,1-5). Opressão intermediada por um batalhão de arrecadadores e religiosos que blindavam suas ações, além de aprová-las.</strong></p>
<p><strong>Assim, o fato de o filho de Maria ter nascido num estábulo não ter nada de romântico, comovente e terno, também as palavras que Simeão dirige a Maria não têm nada de mel e doçura: aquele que seria chamado o Cristo de Deus, é simplesmente mais um excluído, um explorado, como as crianças que nascem devendo o que não compraram, entre os tantos  desta terra que pagam dívidas contraídas em seu nome (imaginemos o custo dos estádios milionários para a Copa do Mundo, bem próximos de favelas e palafitas). Sem excluir as dívidas sociais permanentes, jamais resgatadas: habitação precária,  urbanização deficiente, escola, saúde e previdência mal assistidas, entre outras.</strong></p>
<ul>
<li><strong>O sinal dado aos pastores de que tudo o que foi dito sobre o menino está certo, é mais do que desconcertante diante da extrema pobreza em que ele nasce (Lucas 2,12). Maria nem vê, nem ouve os anjos. Ela recebe a mensagem dos anjos por meio dos pastores, menos informados e comprometidos com a tradição do que ela. Não são judeus, nem freqüentadores do templo. A reação de Maria diante de tudo isto não é algo passageiro, mas um fato permanente. Não é uma atitude passiva. Ela procura entender, refletindo sobre o que significava a saudação do anjo na anunciação (v.29), e como perguntou de que maneira havia de cumprir sua missão de mãe do Messias de Deus (v.34), assim também se esforça por compreender todo o bem que seu filho significa –  como  Caetano Velozo: “O povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas / Da força da grana que ergue e destrói coisas belas /  Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas / Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva –, como salvador e libertador (v.19).</strong></li>
<li><strong>O anjo lhes anuncia que este é um motivo de grande alegria (Lucas 2,10), no entanto; que este pequenino é o Messias de Deus, o Salvador (v.11). O herdeiro real do Reino da Justiça e da Paz, completas (<em>shalom</em> = bem-estar, vida econômica, social, política, com dignidade, direitos sociais, humanos, civis, atendidos em todos os níveis). O porta-voz de Deus anuncia a Luz que traz a vida plena e abundante: a salvação das misérias, das fomes e das opressões humanas. A revelação celestial nos diz que nele brilha a glória de Deus, que com Ele chega a paz (<em>shalom</em>) do Senhor (v.14;cf. Isaías 9,6). Esse é o Príncipe da Paz.</strong></li>
</ul>
<h2><strong>NATAL</strong></h2>
<p><strong><strong><a href="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/12/natal22.jpeg"><img title="natal2" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/12/natal22.jpeg?w=150&#038;h=123" alt="" width="150" height="123" /></a></strong></strong></p>
<p><strong>Isaías 9, 2-27 – Uma luz de justiça virá sobre o povo  </strong><br />
<strong>Salmo 90 – Volta-te, Senhor, e tem compaixão do seu povo           </strong><br />
<strong>Tito 2,11-14 – A Graça fez-se presente&#8230;                                         </strong><br />
<strong>Lucas 2,1-14 (15-20) – A glória do Senhor envolveu os pastores em grande Luz!</strong></p>
<p><strong>Por que Deus quis nascer entre os homens? Por que há Deus, e não simplesmente o “nada”, a escuridão dos tempos? A palavra  “deus”, como as palavras “dia” e “divino”, não é de tradição bíblica. No sânscrito indo-europeu “deus” significa “luz”. A luz, de fato, é uma poderosa e complexa metáfora do divino. Ela é presente e discreta por toda parte, como o calor. Como o vento – metáfora do Espírito Santo – a luz é sutil, discreta, enquanto emana a vida  opondo-se à metáfora das trevas (L.C.Susin). Mas não é só isso. Pode expressar ídolos, sobretudo ídolos de poder e de medo, divindades da dominação, opressão, que é bem melhor que estejam mortas, ou extintas. A palavra “Luz” evoca a experiência bíblica e cristã do menino nascido em Belém, ou seja, no coração da miséria.  O lado trevoso e obscuro da humanidade em todas as eras. </strong></p>
<p><strong>A tragédia do não reconhecimento do desenho poético de Deus nos condena à perplexidade. No menino de Nazaré vê-se o lado mais sombrio e efêmero do  presente, que não só abandona os sofredores de injustiça, mas mergulha na impiedade.  O mundo violento, egoísta, ganancioso, declara não depender de Deus, enquanto venera o Natal mercantilista e pagão. Muito menos mostra precisar do menino – e são as crianças que haverão de sobreviver a ele. No entanto, na voz melodiosa de Maria, a mulher: <em>“a misericórdia de Deus continua de geração em geração&#8230; sua força dispersa os planos dos soberbos e arrogantes&#8230; derruba dos tronos os que detém poder, e valoriza a gente humilde que não tem com quem contar&#8230; cumula de alimentos os famintos, e manda os ricos para os quintos dos infernos&#8230; socorre o seu povo, conforme prometera no passado, recordando sua lealdade e fidelidade, para sempre”</em> (Lc 1,46-55: paráfrase minha). Não há alegria maior, quando uma criança nasce para tal fim. Deus está conosco, “Jesus é a alegria do mundo”. Com a palavra o hino de J.S.  Bach, que cantaremos em toda a sua profundidade e extensão neste dia de Natal, lembrando a solidariedade de Deus com os humilhados.</strong></p>
<p><strong>O símbolo do nosso tempo, contudo, é como  a dança das cadeiras, onde as posições  ocupam um lugar provisório, até a próxima rodada. Os anos do século 20 podem ser descritos como a &#8220;época dos grandes massacres&#8221;. Nunca se matou tanto como nos conflitos ocorridos no século passado, estendendo-se até ao momento presente. Em muitos países da Europa e da Ásia, o século foi largamente apelidado de &#8220;Século Sangrento&#8221; (G.Blainey). Assistiu-se a uma mudança notável na maneira como um vasto número de pessoas vivia, como resultado de inovações tecnológicas, médicas, sociais, ideológicas e políticas. Ao mesmo tempo, termos como ideologia política, guerra mundial, holocausto, genocídio, guerra nuclear e choque ambiental, entraram em uso comum, tornaram-se uma influência na vida cotidiana das pessoas. Especialmente no Ocidente, e aqui estamos os povos latinos, povos novos, na dependência das grandes nações do “primeiro mundo”.  O século começou com 1 bilhão, e este já inaugurou 7 bilhões de habitantes no planeta Terra.  </strong></p>
<p><strong>De fato, há deuses mortos que insistem em voltar através dos fundamentalismos e das ortodoxias religiosas escolásticas, escudados no imaginário natalino do céu presente. Não é. A luta terrível entre forças divinas regendo o universo – forças demoníacas que abrigam o poder, possibilidades que negam a vida – confunde o que se deveria pensar sobre Deus, diante de ídolos de poder, de conhecimento científico, de dominação religiosa. Para projeções de desejos de força, poder, e de medo, é melhor o nada. O vazio.</strong></p>
<p><strong>A tradição cristã abraça esse nada e esse vazio, apontando em escandalosas expressões o que está no coração da Natalidade: <em>“A Palavra se fez Carne” (</em>Jo 1,14), <em>“Esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição da servidão humana”</em> (Fl 2,7). O “vazio” e o “nada” não são estranhos ao anúncio de Deus segundo a fé cristã. É preciso preenchê-los. Deus mostrou-se junto a quem não tinha poder ou riqueza, nem podia levar “sacrifícios” à religião da ganância. Vítimas da impiedade vigente, os que sofriam preconceito e intolerância, injustiças e desigualdades. Jesus seria o Deus dos que tinham fome, doenças, deficiências físicas e mentais; das prostitutas ou das mulheres relegadas, zero à esquerda. Como a mãe de Jesus. O menino seria o Deus dos fracos como sua mãe.</strong></p>
<p><strong>Da tipologia de Deus, agora no menino, o profeta garantia, no passado: “Eu habito em lugar santo, mas estou junto ao humilhado e esmagado” (Is 57,15). Portanto, não é olhando para os céus que ele é encontrado (Atos 1,10-11), mas no chão terreno onde a vida é aviltada. Não é zelando pela santidade, é no coração da miséria que o menino “nasce”, experimentando todas as fragilidades, injustiças, desigualdades, abandono e ameaças  constantes de intolerância e exclusão. Frágil e mortal, sofria os determinismos e as condenações dos pobres desde o berço. Outro profeta disse que ele seria o juiz das consciências e defensor das causas perdidas: “Praticou o direito e a justiça [...], julgou a causa do pobre e do indigente abandonados” (Jr 22,15-16).</strong></p>
<p><strong>A Natalidade do Senhor não é uma exibição de grandeza política ou religiosa, nem de fascinantes altares transformados em palco de luzes modernas tremulantes, escondendo a treva dos tempos sombrios, pois o menino não veio para ser aplaudido pelo último sucesso da música sem força e sem os amargores da denúncia. O menino não quis ser um ídolo e, como ele, Tiago disse (com pudor, sem usar uma única vez a palavra dogmática Cristo): “O verdadeiro louvor e a verdadeira religião são o socorro ao pobre, ao órfão e à viúva” (Tg 1,27). Não há religião sem uma ética do cuidado, da misericórdia, da compaixão e da solidariedade. Voltada para o que sofre, o que é desprotegido, o que chora, o que é abandonado, torna-se  verdadeira.</strong></p>
<p><strong>Aqui nos deparamos com o destino humano, perspectivas abertas, horizontes infinitos, sem nos privarmos do esplendor da vida em todas as suas manifestações. Sonhamos com paraísos, no menino. Construímos utopias. Como os sons e as tonalidades do Universo, podemos dizer que há um céu em nós, como há um sol e estrelas; que não há um “<em>eu</em>” sozinho, mas muitos “<em>eus</em>” compartilhando a vida criada por Deus. Sempre em busca da plenitude, liberdade e dignidade. Paraísos são sempre sonhados para serem realizados. Paraísos são a Esperança. Precisam ser vividos, necessitam ser magnificados. O evangelho da Natalidade do Senhor recorre à poesia, poder da imaginação, porque um poeta imita Deus quando recorre à eficácia das belas imagens do mundo ideal (Lc 1,46-55). Um mundo sem males nem dores, um novo céu e uma nova terra (Is 65,17-25;Ap 21,1). Diria que “um belo poema, como o da Criação e do Universo inteiro (Salmo 19), não é mais que uma maravilhosa canção de amor pelo mundo criado”. Só os poetas, e o próprio Deus, crêem que a beleza do mundo inteiro, como nos seus mistérios, está nos olhos da criança. Neles, os céus declaram a poesia de Deus, e o firmamento declama a obra das suas mãos.</strong></p>
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	</item>
		<item>
		<title>ADVENTO &#8211; Ano B (Ano Litúrgico)</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 12:11:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Derval Dasilio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Calendário Litúrgico Advento - Ano B  [Ver: Arquivo do Ano A - 2011] ESTRUTURA DO ANO LITÚRGICO – ANO “B” [2011/12] CALENDÁRIO LITÚRGICO 2011-2012 1. CICLO DO NATAL 1.1 ADVENTO 1.2 NATAL 1.2.1 EPIFANIA 1.3 CICLO DO TEMPO COMUM – 1a.Parte 2. CICLO DA PÁSCOA 2.1 TRÍDUO PASCAL 2.1.1 QUARESMA 2.1.1.1 QUARTA-FEIRA DE CINZAS 2.1.1.2 DOMINGO [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=dasilio.wordpress.com&amp;blog=21379166&amp;post=183&amp;subd=dasilio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><strong><a title="Ano A - Calendário" href="http://dasilio.wordpress.com/ano-a-calendario-domingo-liturgico-arquivo-2011/">Calendário Litúrgico</a><br />
</strong></h2>
<h1><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><span style="color:#800080;">Advento</span></a> <span style="color:#800080;">- Ano B  [Ver: <a href="http://dasilio.wordpress.com/ano-a-calendario-domingo-liturgico-arquivo-2011/">Arquivo do Ano A</a> - 2011]</span></h1>
<h1><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/">ESTRUTURA DO ANO LITÚRGICO – ANO “B” [2011/12]</a></h1>
<h1><strong><a href="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/11/ano-litc3bargico.jpeg"><img title="Ano Litúrgico" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/11/ano-litc3bargico.jpeg?w=156&#038;h=138" alt="" width="156" height="138" /></a></strong><strong><a href="http://derwal.files.wordpress.com/2009/11/lec-liturgico-simbolo-peixe-cores.jpg"><img title="LEC.LITÚRGICO.SIMBOLO PEIXE CORES" src="http://derwal.files.wordpress.com/2009/11/lec-liturgico-simbolo-peixe-cores.jpg?w=135&#038;h=297&#038;h=142" alt="" width="135" height="142" /></a></strong></h1>
<p><strong></strong><strong>CALENDÁ</strong><strong></strong><strong>R</strong><strong></strong><strong>IO LITÚRGICO 2011-2012</strong><strong></strong><strong></strong></p>
<p><strong>1. CICLO DO NATAL</strong></p>
<p><strong> 1.1 <a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/">ADVENTO</a><br />
1.2 NATAL<br />
1.2.1 EPIFANIA </strong><strong> </strong></p>
<p><strong>1.3 CICLO DO TEMPO COMUM – 1a.Parte</strong><br />
<strong> 2. CICLO DA PÁSCOA<br />
2.1 TRÍDUO PASCAL<br />
2.1.1 QUARESMA<br />
2.1.1.1 QUARTA-FEIRA DE CINZAS<br />
2.1.1.2 DOMINGO DE RAMOS<br />
2.1.1.3 QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO<br />
2.1.1.4 SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO<br />
2.1.1.5 VIGÍLIA PASCAL / DOMINGO PASCAL<br />
2.1.2 TEMPO PASCAL<br />
2.1.2.1 VIGÍLIA PASCAL / DOMINGO PASCAL<br />
2.1.2.2 ASCENSÃO<br />
2.1.2.3 PENTECOSTES</strong></p>
<p><strong>3. CICLO DO TEMPO COMUM – 2a.Parte<br />
3.1 TRINDADE<br />
3.2 AÇÃO DE GRAÇAS<br />
3.3 REFORMA<br />
3.4 CRISTO REI DO UNIVERSO</strong></p>
<p><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><span style="color:#800080;"><strong>1o. Domingo do Advento &#8211; Ano B</strong></span></a> <span style="color:#800080;"><strong>(Cor litúrgica: roxo/variações dessa cor)</strong></span></p>
<p><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><span style="color:#800080;"><strong>27 de novembro &#8211; 2011</strong></span></a></p>
<h2><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><strong><img class="alignleft  wp-image-192" title="Anunciação" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/11/anunciac3a7c3a3o.jpeg?w=111&#038;h=111" alt="" width="111" height="111" /></strong></a><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><strong>I. DOMINGO DO ADVENTO – ANO “B”</strong></a></h2>
<p><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><strong>Isaías 64,1-9 – Tu vais ao encontro de quem pratica a justiça</strong><br />
<strong>Salmo 122 –  Lá está o trono de justiça</strong> </a><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><br />
<strong>1Coríntios 1,3-9 –  A fé e a esperança significam mais que o conhecimento</strong> </a><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><br />
<strong>Marcos 13,24-37 – A justiça vem habitar entre nós</strong></a></p>
<p><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><strong>O Advento lembra uma grande crise. A história da humanidade é feita de crises, momentos de reorganização do caos político, ou social, ou econômico. Devemos também considerar as crises religiosas, como a que observamos nos tempos atuais, que afirmam a religião de mercado impondo-se sobre a fé histórica, e se declarando vitoriosa sobre o movimento unificador da Igreja de Cristo. As crises se repetem, mas a interpretação religiosa desses acontecimentos se presta a muitos matizes, e não poucas vezes a falsas promessas. A coação da linguagem apocalíptica frequenta púlpitos e comunidades, revela nossas crises de identidade. O oportunismo se instala, a morte é anunciada com poder maior que a vida; o temor constrange à aceitação de uma mensagem  desesperada de ganância, ambição particular iniludível, associada ao julgamento de cada um segundo suas posses materiais. É o que se pensa. </strong></a></p>
<p><strong>A vinda do Senhor, Advento, no entanto significa esperança para os desagregados, humilhados, pisoteados e esmagados deste mundo. Desigualdades profundas, intolerância, preconceito, exclusão, serão julgadas no juízo de Deus. A ignorância, a humilhação, a pobreza, apontadas na vigilância diária que permite ver os sinais do Reino, constituem tudo aquilo contra o qual se luta, no anúncio do Advento do Senhor. Fazer pressão sobre os interesses hostis contra a vida; corrigir a miopia sobre o real sentido de nossas próprias vidas diante da mensagem do Reino de Deus, é a palavra de ordem do Advento. Algo como alcançar e aprofundar o amor de Deus pelos homens e mulheres, amor que se aproxima de nossas realidades mais tenebrosas. Deus habita conosco na forma do homem que percorre os nossos caminhos. Essa dimensão é alcançada quando mergulhamos em nossos silêncios ou omissões, enfrentando nossas negativas, saindo da superfície para o compromisso e aprofundamento da fé no Deus que se encontra conosco através de Jesus de Nazaré. Estamos em pleno Advento. O Senhor virá em breve. </strong></p>
<p><strong>Os sinais dos tempos sempre têm sido um critério profético de como crer, de como viver, como esperar por Deus. Qual seria a razão? Por que os profetas pensavam que Deus não havia abandonado a história, não entregara homens e mulheres à desumanização, à indignidade, à impiedade, à maldade e às maldições próprias do reinado adverso do “mundo do malígno”? Está na mesa, inclusive, uma grande questão: por que Deus abandonaria à sua própria sorte o mundo que ele criou com tanto desvelo, como se vê na abóbada da capela Sistina: <em>fiat lux</em>? Por que estariam descartadas a salvação e a liberação daqueles que ele havia criado, do Oriente ao Ocidente? A  proposta de reinado e governo de Deus sobre o mundo e sobre os homens é a resposta. </strong></p>
<p><strong>Uma obra de arte é sempre maior que seu intérprete, já ouvimos isso. Ouvimos também que a obra de um bom autor é melhor que o melhor artigo escrito por qualquer crítico literário. Carlos Mesters diz que o assunto “apocalipsismo” merece essa analogia: os escritos são mais importantes que seus intérpretes. Nos agrada a idéia de Mircea Eliade: “monstros e fenômenos sísmicos e climáticos povoam o passado mitológico da humanidade, onde elementos cósmicos catastróficos são evocados em situações extremamente críticas, crises, através de uma linguagem reveladora, como a desorganização cósmica onde o poder sagrado se oculta”. Uma forma de castigo como o retorno ao caos vem e identifica forças naturais descontroladas operando contra a vida humana enquanto tsunamis e terremotos revelam também a geografia social do mundo. Através da experiência do sagrado, como em todos os povos, simbolismos religiosos interferem na interpretação da catástrofe e do caos. É a crise. O Deus-Redentor de Israel, nos primeiros tempos, fazia-se acompanhar de manifestações grandiosas na natureza: Yahweh! Quando saíste de Seir, quando avançaste nas planícies de Edom, a terra tremeu, os céus trovejaram, as nuvens desaguaram em tormentas. Os montes deslizaram na presença de Yahweh, o Deus de Israel (Jz 5,4-5, comentário: Westermann,).</strong></p>
<p><strong>Marcos 13,1-8 – No Novo Testamento, um discurso escatológico! Marcos bate de frente com a realidade presente face ao futuro que Deus oferece, como salvação e libertação ao final da vida e dos tempos.  Nada do que fala é estranho ao que se pregava e foi registrado na literatura judaica da época: o juízo de Deus irromperia para mudar o rumo da história humana e do mundo. Há muitas semelhanças, embora os outros escritores evangelistas adaptassem seus conceitos à sua própria mensagem. Devemos reconhecer o apocalipse sinótico nesta perícope. Presta-se a muitas interpretações, sem dúvida. O Templo reconstruído seguidas vezes no sentido de representar a unidade nacional, enquanto representa o centro do culto de Israel, gerador de comportamentos, naquele momento, alienante, intimista, disperso, desconcentrado da originalidade, abriga a idolatria pagã convivente com a “idolatria” da Lei. Toda a precariedade da idolatria, ou do culto idolátrico, manifesta-se em tempos de desgraça (Claus Westermann). É a crise.</strong></p>
<p><strong>Os ídolos como também a própria Lei, impõem pesadas cargas, necessitam de “bestas” para transportar seu peso. Uma analogia é construída sobre a incrível debilidade dos mesmos, diante de um Deus que é independente dos estatutos religiosos: o Deus de Jesus é diferente, é ele quem carrega as pesadas cargas impostas sobre seu povo, e as transportará até o fim (cf.Is 46,1-4). A história se resolve ao pé da letra?</strong></p>
<p><strong>Evoca-se o profeta Daniel, não sem motivo; a resistência dos macabeus aos helênicos, ao mesmo tempo [ricos comerciantes acabaram por comprar terras, surgindo uma classe de grandes latifundiários e outra de desempregados e mendigos, causando descrença na política atuante e fomentando a divisão ideológica. O helenismo se implantava, enquanto as tradições centradas no Templo eram cultivadas. Surgiram então três grupos, de características sociais religiosas e políticas distintas: <em>Tzedukim</em> (Saduceus), <em>Prushim </em>(Fariseus) e os <em>Issiim</em> (Essênios); ocorria o desaparecimento dos movimentos proféticos (tão a gosto do povo), enquanto sacerdotes da religião oficial, hierárquica, tomam seu lugar; a liturgia, do Templo e da sinagoga reflete a submissão]. Isso indicaria a leitura, a escuta, a aplicação da Palavra no testemunho (<em>marturia</em>) para unificar a comunidade na luta contra a injustiça. Mas a resistência é substituída pelo quietismo, ou fatalismo, ou pela equidistância na religião. Pior ainda, o sincretismo cultual  idolátrico, mais uma vez, é admitido sem protesto.</strong></p>
<p><strong>A estátua do imperador é levada ao Templo para que este seja adorado como deus. As opiniões são variadas, e diferentes, sobre isso, no entanto (cf.simbologia apocalíptica). O perfil sinótico apocalíptico reconhece quem são os seguidores de Jesus diante da crise da religião que não vê a economia  que alimenta desigualdades e injustiças sociais; diante da guerra em andamento, da perseguição, do novo exílio (Jerusalém cairá mais uma vez, no ano 70 d.C., resultado da crise na província da Síria, envolvendo o imperador romano Calígula e o legado comandado por Petrônio, 30 anos antes). Os cristãos estão envolvidos, agora: o dia do Senhor (<em>kyriaquê ’emera</em>) &#8220;virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas&#8221; (2Pedro 3,10). Mas não há dúvida do envolvimento dos primeiros cristãos, também influenciados pela corrente apocalíptica e sua linguagem de resistência profética. É preciso observar os sinais dos tempos&#8230; </strong></p>
<div><a title="2010-01-19T13:42:04+0000" href="http://derwal.wordpress.com/2010/01/19/tempo-comum-depois-da-epifania-calendario-liturgico-2010/">19/01/2010 – 14:00</a> Categories: <a title="Ver todos os posts em Uncategorized" href="http://derwal.wordpress.com/category/uncategorized/" rel="category tag">Uncategorized</a> | <a title="Comentário para TEMPO COMUM (Depois da Epifania) – CALENDÁRIO LITÚRGICO – ANO C (2010)" href="http://derwal.wordpress.com/2010/01/19/tempo-comum-depois-da-epifania-calendario-liturgico-2010/#comments">Comentários (6)</a></div>
<p><a href="http://2domingo do advento.ano a./"><br />
</a></p>
<h2><a href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><strong><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-227" title="cordeiroevangelho" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/11/cordeiroevangelho2.jpeg?w=150&#038;h=148" alt="" width="150" height="148" />II. DOMINGO DO ADVENTO – ANO “B”</strong><br />
<span style="color:#800080;"> <strong>Isaías 40,1-11 – Caminhar é preciso&#8230;                      </strong></span><br />
<span style="color:#800080;"> <strong>Salmo 85,1-2;8-13 – Tu nos perdoaste, e caminhando saímos do cativeiro!                                            </strong></span><br />
<span style="color:#800080;"> <strong>2Pedro 3,8-15a –  Para Deus, um dia é como mil anos: eternidade </strong></span><br />
<span style="color:#800080;"> <strong>Marcos 1,1-8 –  Nos caminhos do deserto se anuncia o Advento</strong></span></a></h2>
<p><span style="color:#800080;"><a href="http://2domingo do advento.ano a./"><span style="color:#800080;"><strong>Diferentemente de estarmos caminhando na solidão e reflexão que o deserto inspira, estamos imersos numa sociedade povoada de distrações, onde nos movimentamos descuidadamente em todos os tipos de relações. Somos açoitados com chicotes de veludo para consumirmos valores de um certo tipo de riqueza ou prosperidade; cedemos ao estímulo cultural de prestígio e visibilidade. Somos guiados pelo individualismo. Pode, isto, desviar um cristão das relações verdadeiras com Deus, no sentido do caminhar no deserto, que é proposto para cada um a partir do batismo? Talvez estejamos equivocados, talvez não&#8230; tomamos um rumo estranho ao proposto no Advento do Senhor. Porém, quando sentimos que o problema de muitos se apresenta na falta de sensibilidade para com os compromissos da fé cristã, quando fizemos profissão de fé e declaramos nossa adesão à causa do Cristo de Deus (imagem:.Cláudio Pastro).</strong></span></a></span></p>
<p><a href="http://2domingo do advento.ano a./"><strong>O prólogo do evangelho de Marcos marca as diferenças e os vínculos do Primeiro Testamento. João Batista é o profeta do Advento. Há consenso de que João Batista representa o anúncio de um tempo decisivo que chega (Advento).  Marcos reflete muito claramente o pensamento do cristianismo primitivo. Mais que isso, sua proximidade, do ponto de vista escriturístico, torna-o representante das primeiras camadas interpretativas do <em>kérigma</em> das comunidades iniciais.</strong></a></p>
<p><strong>O Batista é um profeta apocalíptico no melhor sentido (evita o catastrofismo e a linguagem generalizada sobre o fim do mundo, substituída pela denúncia das injustiças e desigualdades que obstaculizam o reinado de Deus). A seus olhos tudo será transformado com a irrupção do Reino. Sua presença é destacada com semelhanças extraordinárias ao profeta Elias (2Rs 1,8; Mal 3,23), o que dá uma grandeza inominável ao evangelho que João Batista prega. Ele é o profeta da nova Aliança. Destaca-se sua autoridade, especialmente: foi ele quem batizou Jesus! É ele quem afirma em primeiro lugar a irrupção do Reino de Deus nos evangelhos, depois de séculos de silêncio profético em Israel. O batismo com o Espírito Santo (1,8) indica que o Messias de Deus concederá a capacidade de discernimento sobre o “mundo novo possível”. O mesmo que distinguir as  possibilidades e as exigências do caminho de Deus.</strong></p>
<p><strong>Isaías 40,1-11 – Aqui se ensina um maravilhoso canto de consolação para o povo desterrado na Babilônia. O exílio babilônico atirara por terra todas as seguranças ideológicas e religiosas (séc.VI a.C., cai a última dinastia de Israel). O credo fundante no qual se confessa Jahweh como Deus de Israel evocava uma “Aliança” de Deus com um grupo que nada representava na história da humanidade. Trata-se de uma aliança protetora e salvadora que ignora as grandes forças políticas e econômicas, grandes povos, grandes nações, culturas expressivas do mundo de então, em seu cuidado, refletindo o interesse de empoderar o fraco contra toda forma de opressão.</strong></p>
<p><strong>“Abram um caminho no deserto, para que passe o nosso Deus; que os vales se ergam, que as colinas e montes se inclinem, que o torto se endireite e que o escabroso se torne suave e liso”. A escravidão, a miséria, a fome e a exclusão vão cessar. Este livro (Segundo Isaías), não tem um autor conhecido, mas leva o nome do profeta mestre de quase três séculos antes. Mas o profeta é novo, como nova é a situação.</strong></p>
<p><strong>Todo mundo deve entender que os caminhos de Deus são aqueles que promovem a vida plena e a dignidade, a felicidade e a paz. O profeta entende o que é o caminho de Deus, momento mágico que transforma as escravidões em liberdades; as injustiças – em face da impiedade prática que  ensina  a violação dos direitos do outro; a ganância e arrogância de poder – em misericórdia, solidariedade, tolerância dos diferentes; as economias concentradoras de privilégios em solidariedade e partilha; o mal em bem-estar geral na sociedade humana. Com a volta do desterro, o futuro está aberto para as liberdades ansiadas; à esperança: um mundo novo&#8230; Perguntamos: por que, posteriormente, com o consentimento dos persas, o que veio foi uma nova  religião autoritária, racista, legalista,  entre os israelitas (judaísmo), mancomunada com os sucessores dos mesmo, gregos e romanos, sufocando a memória do profetismo em Israel? Por que os principais adversários de Jesus e dos apóstolos são apontados  exatamente entre os titulares e dirigentes da religião em vigor? Por que Jesus se insurge abertamente contra   o tipo de religiosidade legalista, formal, que esconde as realidades da opressão?<br />
</strong></p>
<p><strong>2Pedro 3,8-15a – As primeiras gerações de cristãos, já convivendo com as que se seguiram, assumem um perfil apocalíptico – ênfase no final dos tempos, fim do mundo –, enquanto doutrinas perigosas vão se introduzindo. Mas é preciso considerar o que significa a palavra “tempo” em 2Pedro: “&#8230; um dia é como mil anos”. Praticamente uma eternidade. O apelo à paciência está bem claro: se Deus é paciente, devemos ser também pacientes. Não se pode esperar a vinda do Senhor em termos catastróficos, anunciando a destruição geral. Porque, depois de tanto “tempo”, na espera da fé, devemos crer que as transformações ocorridas em nossa vida, com o advento do Senhor, são o sinais do que ocorrerá com o mundo. E “o homem é um mundo num grão de areia&#8230;”, todas as possibilidades lhe vem ao encontro (W.Blake). A consumação da História, se vista no mundo transformado, é um mundo novo possível. Se somos reconciliados com o projeto de Deus, devemos esperar o mesmo para o mundo onde estamos. Se formos transformados, o mundo também pode ser transformado.</strong></p>
<p><strong>Marcos 1,1-8 – A conversão cristã é ressaltada, aqui. A “terra prometida vem”, um mundo novo é possível,  seguramente, pela fé, mas é preciso caminhar no deserto, antes de tudo. A conversão é necessária, para que se veja o novo que está chegando. Como diz Miguel Burgos, essa conversão é também um sinal de alegria, revisando e atualizando a pregação de João Batista. E aqui se destaca o compromisso cristão. Por isso, chamar o povo para caminhar na direção de uma nova libertação, tão prodigiosa como a primeira, o êxodo do Egito, a travessia do Mar Vermelho, também dá sentido ao Advento. Se bem que o deserto está logo adiante.</strong></p>
<h2><a title="IIIDomingoAdvento/Ano B" href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/"><strong><img class="alignleft  wp-image-236" title="Claudio Pastro Heilsgeschiedenis" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/11/claudio-pastro-heilsgeschiedenis.jpg?w=127&#038;h=159" alt="" width="127" height="159" /><span style="color:#800080;">III Domingo do Advento – Ano “B”</span></strong></a></h2>
<p><a title="IIIDomingoAdvento/Ano B" href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/" target="_blank"><span style="color:#800080;"><strong>Isaías 61,1-4 – O Espírito me ungiu para anunciar a libertação&#8230;</strong></span><br />
<span style="color:#800080;"> <strong>Salmo 126 – O Senhor restaurou a sorte de Sião                              </strong></span> </a><a title="IIIDomingoAdvento/Ano B" href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/" target="_blank"><br />
<span style="color:#800080;"> <strong>1Tessalonicenses 5,16-24 –  O dia do Senhor vem inesperadamente&#8230;                               </strong></span> </a><a title="IIIDomingoAdvento/Ano B" href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/" target="_blank"><br />
<span style="color:#800080;"> <strong>João 1,6-8; 19-27 – Há esperança para os que padecem sob a opressão</strong></span> </a></p>
<p><a title="IIIDomingoAdvento/Ano B" href="http://dasilio.wordpress.com/2011/11/21/advento-ano-b-ano-liturgico/" target="_blank"><span style="color:#800080;"><strong>Neste terceiro domingo do Advento nos deparamos com os símbolos da missão individual de cada cristão; dos ministros ou oficiais da igreja, homens ou mulheres, bispos, pastores, presbíteros, diáconos, presidentes, moderadores. Jesus está em primeiro lugar, ninguém deve querer suplantá-lo? Nem sempre&#8230; o jogo do poder é como um tabuleiro de xadrez que se joga até nas associações de bairro. Jesus e sua missão são a coisa maior de nossas vidas? Dedicar a vida para abrir caminho à causa do Messias de Deus; criar visibilidade para o Messias de Deus e os significados do Reino; ser precursor da libertação das opressões, cegueiras, prisões religiosas, políticas, econômicas, sociais, seria o que o profeta João Batista representa para todos nós, quando prepara o caminho do Senhor? Neste momento da vida nacional quando várias marcas apontam urgências de políticas a serem corrigidas, quando as velhas oligarquias se unem às novas classes políticas, conspiram e apaixonam o povo, enquanto se jogam para debaixo do tapete as questões de fundo, esmerando-se em ocultar o que sempre faz quando está no poder; insinuando que as “espertezas”, a imoralidade por trás das ações políticas, são “defeitos dos outros” e “virtudes nossas” quando estamos governando. O Congresso Nacional tem arquitetura simbólica esclarecedora, que Niemayer não imaginou: a abóbada convexa esconde; a côncava recolhe as vantagens que interessam aos parlamentares.</strong></span></a></p>
<p><strong>Nunca se fez a revolução na educação e na saúde; o povo continua doente e ignorante: neste fim de ano veremos o de sempre, filas nos ambulatórios hospitalares e pais madrugando ou dormindo na calçada para obterem uma ficha na abertura do expediente de matrícula das escolas. A busca da estabilidade macro-econômica governamental impede a visão que se precisa ter sobre a permanente instabilidade social; as tantas crises que acometem seguidamente a comunidade nacional em dramas proporcionais ao distanciamento político existente, são reveladoras. As colocações proféticas, harmonizando o que se dizia séculos antes na escola profética de Isaías, agora na boca de João Batista, passam a ser muito importante para os cristãos. Perguntamos: como a messianidade de Jesus se reflete como “evangelho”, boa-notícia para os pobres, esmagados e esquecidos? Por que damos mais importância às aparências; por que a realidade oculta é tão menos importante que as guirlandas, as luzes, os presentes do paganismo natalino que tanto apreciamos?</strong></p>
<p><strong>Um pobre entra no templo evangélico, pergunta ao pastor o que tem de fazer para sair do miserê  em que vive. O religioso enfia um carnê de dízimos no bolso coitado, em resposta. O pastor senador, milionário através de mandatos seguidos, à custa do eleitorado evangélico, em busca de reeleição, procurado por um eleitor preocupado com a situação social de sua comunidade entrega-lhe um maço de modelos da cédula com seu número assinalado para a votação eletrônica, como solução. Seu partido, torre de força do bloco evangélico no Congresso, controlará um ministério que movimenta verbas astronômicas no governo&#8230;  A tipologia do “baixo proletariado espiritual” que o elege sugere que as fileiras se incham com rapidez e seus tormentos escorrem, com profusão, de cima para baixo, saturando camadas cada vez mais espessas da pirâmide social.</strong></p>
<p><strong>No meio, a classe média evangélica em ascensão adere à religião da prosperidade, até para justificar-se. No vértice, o alto clero neoevangélico, rico, milionário, ostentando alto luxo  nos costumes, conduzindo a manada inocente ao matadouro. Com salários em torno dos R$100 mil, programas televisivos e de rádio, adornados com <em>griffes </em>internacionais, jóias e relógios caros; mansões e sítios de R$10 milhões para cima (IstoÉ.09.09.2011), saem pela cidade para cumprir suas obrigações de carros importados, blindados e escoltados por seguranças, ou voando em helicóptero de R$ 2,5 milhões. João Batista está fazendo falta.</strong></p>
<p><strong>Hoje, quando há quem pense que estamos em posição bem diferente daquela sociedade denunciada por João Batista, o que se observa é apenas uma mudança coreográfica: muda-se o cenário, instrumentos cênicos, gelo seco, spots, holofotes, para enfocar detalhes. Presépios iluminados com lâmpadas <em>led </em>e animados com vacas mecânicas que só dizem sim, em constrangedor assentimento quanto as injustiças. As personagens são as mesmas de sempre e o roteiro permanece inalterado.  O drama da miséria, porém, alcança a ausência de cidadania e direitos fundamentais. Uma sociedade com fortes contrastes e injustiças, controlada por mecanismos que associam a religião com a política e a economia, convence-se de direitos consuetudinários e posterga as transformações necessárias.</strong></p>
<p><strong>O drama dos oprimidos continua. João Batista não será lembrado nos presépios pré-natalinos. Nessa personagem profética encontraremos um ensinamento para o nosso próprio testemunho, no anúncio da vinda do Senhor. As situações que apontam o caos social, como vemos hoje; as questões das pessoas mais injustiçadas, estão na mira do Reino de Deus.  Mais que nunca, a visão da realidade transmudada pode ser desoladora, a partir da grande maioria, enganada, submissa, conformada com o enfoque do detalhe que esconde o todo e o entorno, no conjunto dos fatos sociais. A esperança, porém, brota com o Advento do Senhor. O que aconteceu em Belém não é apenas uma história piedosa sacro-romântica que os autores bíblicos construíram com carinho e cuidado, visando comover o observador.</strong></p>
<p><strong>A missão do Messias, tal como percebida pelos profetas, com séculos de antecipação, cristaliza os conceitos de Evangelho e de evangelização (João 1,6-8;19-27). A meditação demorada de Jesus, leitura orante, íntima, profunda, da realidade opressiva, fazia-o seguro de que cumpria as Escrituras. Apresentou-a na sinagoga como um sinal claro de messianidade, e ante a comissão oficial que veio perguntar-lhe se era o Messias (Lc 4,16ss). Aí está: O Messias de Deus vê que o povo é vítima da voracidade e da indiferença da elite corrupta que exclui o pobre e o faminto; os que não podem comparecer ao sacrifício de expiação no templo, conforme a teologia da ganância ensina, encastelada nos centros de poder, apoiada por religiosos também ambiciosos.</strong></p>
<p><strong>Isaías 61,1-4 –  O profeta Isaías (Trito Isaías), mais de dois séculos depois do fundador da escola profética que leva seu nome,  convida ao retorno do desterro na Babilônia, inclusive no pensar no novo êxodo. Há incerteza, porém não maiores que a esperança; a ação de Iahweh será eficaz; Jerusalém, que agora se encontra arruinada, destruída, virá a ser um centro de peregrinações, no futuro, à qual acorrerão todas as nações da terra. A realidade é dura, no cativeiro; a pobreza e tristeza fazem a rima perversa que induz ao fatalismo e à acomodação. É a este povo que se dirige a palavra profética, instilando a esperança de transformação da realidade. Se as coisas estão difíceis, podemos sair das mesmas, porque Iahweh não abandona o seu povo, sugere o profeta.  O Senhor veste seu povo com  roupas protetoras, salvadoras, diante de todas as dificuldades;  devolver-lhe-á a terra usurpada, enquanto faz germinar os frutos da justiça; enquanto for lembrado e  louvado, Iahweh não dará as costas para seu povo. A religião fundada, logo após, negará a energia e dinamismo do javismo, atrelando-se seguidamente com os poderes dominantes (cf. Esdras e Nehemias, Malaquias e Jonas, I e II Macabeus, para entender o judaísmo formativo).</strong></p>
<p><a href="http://dasilio.wordpress.com/"><span style="color:#800080;"><strong><img class="alignleft  wp-image-251" title="advent.jesus" src="http://dasilio.files.wordpress.com/2011/11/advent-jesus.jpeg?w=131&#038;h=142" alt="" width="131" height="142" />IV  DOMINGO DO ADVENTO – ANO “B”</strong></span><br />
<span style="color:#800080;"><strong>Deuteronômio 18,15-20 – “O senhor teu Deus levantará um profeta no meio de ti”</strong></span> </a><a href="http://iv domingo.advento./teologia.liturgia.cultocristão/"><br />
<span style="color:#800080;"><strong>Salmo 15 – “Habitará na tenda de Deus quem vive com integridade e pratica a justiça”</strong></span> </a><a href="http://iv domingo.advento./teologia.liturgia.cultocristão/"><br />
<span style="color:#800080;"><strong>1Coríntios 8,1-13 – “Quando eu era criança, pensava e falava como uma criança”</strong></span> </a><a href="http://iv domingo.advento./teologia.liturgia.cultocristão/"><br />
<span style="color:#800080;"><strong>Marcos 1,21-28 –  “Ameaçado, o demônio agitava-se ?”</strong></span></a></p>
<p><a href="http://iv domingo.advento./teologia.liturgia.cultocristão/"><strong>Ao finalizarmos o tempo do Advento, já na proximidade da Natalidade do Senhor, seguimos ouvindo vozes e ecos proféticos, enquanto os acontecimentos da vida humana persistem reclamando dignidade para a vida, paz, comunhão, solidariedade, especialmente entre os que crêem. É tempo de salvação (<em>kayrós</em>), o Reino de Justiça e Paz chega aos homens e mulheres que clamam  por libertação do espírito desse tempo dos homens.</strong></a></p>
<p><a href="http://iv domingo.advento./teologia.liturgia.cultocristão/"><strong>No tempo histórico de Jesus, dominava um forte temor, extraordinário, exagerado, em relação a demônios. O que ocorre com a Palestina islâmica ainda hoje serve de parâmetro para o que ocorria dois mil anos atrás: doenças, em muitas manifestações, eram atribuídas a demônios, particularmente as doenças psíquicas (uma lista enorme, se incluímos psicossomatismos), que externamente acusavam as vítimas que não mais tinham controle de si mesmas. Nada incomum nas igrejas pentecostais de hoje, quando doentes mentais escolhiam sinagogas e diante delas começavam a vociferar. Nossos hospitais deixam pouco espaço para os doentes mentais, entendemos a dimensão do grande medo de demônios.  Não menos quando os corredores dos ambulatórios dos hospitais públicos amontoam pacientes em estado grave aguardando atendimento. O poder público ignora drogaditos e pouco faz para indivíduos portadores de doenças sexualmente transmissíveis, entre outras.</strong></a></p>
<p><strong>Há uma visão de abismo da catástrofe irreversível, de um mundo dominado pelo mal, demônios por toda parte, quando os referenciais que expressam os valores do nosso tempo estão na emancipação da razão (uma ilusão). A possessão demoníaca, narrada na linguagem e na concepção desse tempo, era observada com frequência no mundo neotestamentário (J.Jeremias). Mas existe uma mudança, neste aspecto, quando Jesus aborda os casos que lhe chegam. No judaísmo (como hoje), os demônios eram considerados seres individuais, possuíam nomes. Quando Jesus liga os símbolos manifestos concretamente, as imagens são diferentes. Satã surge como comandante de uma “força militar”, um exército do mal (Lc 10,19), outras vezes como dirigente de um reino (Mt 12,26); demônios são soldados desse poder. Do filme Constantine, metáfora precisa da pós-modernidade, retiramos o diálogo do anjo com o exorcista:</strong></p>
<p><strong><em>– “Você, Gabriel, fala do meu ego.  Faz sentido, concordo. Os maus herdarão a terra. Homicídios, traições, genocídios&#8230; sou ingênuo”? E Gabriel retruca: – “Eu apenas busco inspirar a humanidade a cumprir o seu destino&#8230;”. Constantine  retoma: –  “Entregando a terra aos filhos do demônio? Explique&#8230;”. – “Vocês receberam essa preciosa dádiva, cada um alcança a redenção do Criador. Assassinos, estupradores, pedófilos, molestadores, políticos corruptos, todos vocês, basta arrependerem-se e serão salvos. Deus os salvará. Em todo o universo nenhuma criatura pode ter tanto, só o homem. Não há justiça nisso, por isso vou fazê-los dignos de salvação. Observo vocês faz tempo. Só diante da face do horror vocês revelam seu lado nobre. E vocês podem ser bem nobres&#8230; Então, vou proporcionar a experiência da dor, trazer sofrimento e horror, doenças, epidemias, para que vocês possam compreender tudo isso&#8230; Para os que sobreviveram ao inferno, ser-lhes-á dado por  mérito o amor salvador de Deus. O caminho da salvação começa nesta noite, neste momento”! </em></strong></p>
<p><strong>Uma teia de acontecimentos demoníacos e catastróficos – cada vez mais profundos e complexos – comprovariam a presença malévola de demônios na pós-modernidade, pós-iluminista, pós-industrial. O inferno também é observado de perto, através da proximidade estarrecedora do mal, aqui e agora. Só entenderemos isso se assimilarmos que Deus combate o mal no campo onde ele se manifesta, com suas figurações e representações simbólicas, tanto no mundo sagrado quanto no profano. A pergunta poderia ser: se há demônios aqui, onde Deus está?</strong></p>
<p><strong>Se compreendermos que Deus não ficou indiferente ao sofrimento humano habitando ou permanecendo em espaços celestiais distantes, entenderemos melhor a <em>parousia </em>de Jesus. Advento. Ao contrário do que se pensa, pela fé bíblica, Jesus encara o mal concreto em suas identificações simbólicas (enfermidades, descaso dos governantes quanto à saúde pública; desigualdade na utilização de tecnologias sanitárias, etc., [cf.: Marcos 5, o endemoniado de Gerasa]). Deus veio experimentar em carne e osso a perplexidade demoníaca da vida humana, quando homens e mulheres enfrentam o mal sistêmico na esperança do advento do Reino e a sua justiça (<em>parousia</em>).</strong></p>
<p><strong>Portanto, Jesus não considera o mundo do mal como alguma coisa fragmentada, e sim como uma unidade. Desse modo, o mal perde a característica isolada e fortuita que se lhe atribui. Por trás de tudo está o “inimigo”, por excelência o destruidor, o contraditório da vida e da criação. Os seres humanos estão indefesos, à mercê do “exército de maus espíritos comandados por Satanás”. Simbolicamente. Quando forças cegas presentes, invisíveis a olho nu, se manifestam em seres humanos concretos (Mc 1,24), são inquiridas no plural – pelo autor bíblico – entendemos a linguagem da Bíblia. São forças não individualizadas; não há um nome particular para cada uma dessas forças (“&#8230;que queres de nós?”, reage o representante dos espíritos imundos). Temos então uma concepção plural de poderes alienadores reunidos, juntados, malignamente em prontidão, enquanto se reconhece concomitantemente que o “mais forte” está entre eles, e fala em seu nome. A resposta também se refere ao reconhecimento do coletivo, por trás, voltando-se contra o exorcista: “Viestes para nos destruir?” O texto é esclarecedor.<br />
</strong></p>
<p><strong>A visão maniqueísta gosta de justificar-se na polaridade: mal irreversível/bem absoluto, afirmando concomitantemente a irreversibilidade do mal. A psicologia profunda oferece o diagnóstico, mas não se pode “curar” o passado ancestral de todos nós.  É preciso ser rico para beneficiar-se de modernos hospitais e medicina avançada. Em todos os setores. Se alguém duvida, basta procurar uma clínica para doentes mentais ou drogaditos e conferir as diárias hospitalares cobradas&#8230; preços diabólicos revelam o tipo de medicina que aplicam.</strong></p>
<p><strong>Dos 7 bilhões de habitantes do planeta, apenas o extrato rico nas ilhas de desenvolvimento, neste oceano de desigualdades, goza dos benefícios da sofisticada e avançada medicina moderna. Quem terá acesso, no mesmo tempo, aos benefícios das conquistas modernas contra os demônios das epidemias,  das doenças mentais socializadas e a destruição ambiental sistemática? É Deus quem doa a dignidade exorcizando o mal, diz o Evangelho. “O demônio agitava-se”, não é uma nova doutrina pentecostal. Os “espíritos imundos obedecem [a Jesus]”, afastando-se (Mc 1,27b). Este é o anúncio do Advento do Reino de Deus. Mensagem central da ação de Jesus Cristo pelo reinado de Deus. Aguardamos o Senhor.</strong></p>
<p><strong>Derval Dasilio </strong></p>
<p><strong>Pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil</strong></p>
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