17o. DOMINGO DO TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES 

A FÉ É UMA AFLIÇÃO DOLOROSA                                                                    Isaías 1,1; 10-20 – O povo perdeu a fé…
Salmo 50,1-8 – Escuta, meu povo, vós prostituístes a fé de Israel Hebreus 11,1-2.8-19 – Insatisfação com esperanças imediatas
Lucas 12,32-48 – Vós também,  fiquem preparados!         
         

A fé ensina a não nos darmos por satisfeitos com os sucessos aparentes e nem com esperanças imediatas. Ingmar Bergman disse: “a fé é uma aflição dolorosa”. Para muitos, no entanto, não é. O cristianismo simbólico, ou nominal, dispensa a fé, e desconhece a esperança, envolvido com o propósito estatístico, propositista, mas sem essência. Não é inclusivo. Não considera direitos humanos; despreza e alija pessoas da vida de fé.

Esquece crianças, jovens e idosos sob forte risco social; pobres, doentes e famintos condenados à marginalização perpétua em relação à sociedade moderna. Este hedonismo patológico experimenta a violência da competição e da ganância em toda parte, fechando o futuro. Como disse o papa Francisco, nos extremos se nega a participação criativa aos jovens e a transmissão da sabedoria aos anciãos.  

O evangelho de Jesus apresenta a bondade de Deus, seu amor sem medidas, e promete o Reino e descendência para a transmissão da fé libertadora. E faz compreender os fatores que envolvem e atraem principalmente a juventude na direção da morte física e morte espiritual. A partir daqui devemos entender a exortação: “se o Reino é dom, tudo o mais é supérfluo”. O dom do Reino é para quem, em primeiro lugar, precisa de vida digna; os que vivem em situação permanente de risco de morte espiritual, cultural, social, econômica.

O Reino é dado aos excluídos da saúde com qualidade; aos dependentes químicos (lat. vitium = dependência ou compulsão patológica), de drogas lícitas ou ilícitas, tabagistas, alcoolistas, drogaditos; aos submersos no jogo compulsivo e consumo hedonista e sem sentido; aos que estão à mercê do tráfico de drogas e do crime organizado.

O Reino é uma oferta de justiça aos que estão sob a violência de políticos e das políticas corrompidas: aos necessitados de educação qualificada desde a alfabetização à universidade; aos que não têm abrigo; aos que passam fome ou morrem nas ruas durante as madrugadas; aos que são linchados por agressores — representantes da sociedade excludente —, flageladores de crianças, mendigos e doentes mentais.

“Como se transformou em prostituta a cidade fiel! Antes era cheia de direito, e nela morava a justiça, agora cheia de criminosos! A sua prata se tornou lixo, o seu vinho ficou aguado. Seus chefes são bandidos, cúmplices de ladrões: todos gostam de suborno, correm atrás de presentes; não fazem justiça ao órfão, e a causa da viúva nem chega até eles”  (Isaías 1,1;10-20).

A fé cristã faz sentido, marcando a história da salvação. A fé aprofunda potencialidade e criatividades inimagináveis. Seu cultivo – e modo de existência –, transcende ao que pode alcançar a razão, conhecimento, tecnologias de informação. O diálogo proposto às novas gerações é imprescindível, para se atravessar com segurança e com bons frutos as mudanças profundas de nossa época. Sem perder de vista o Evangelho de Jesus Cristo.

Defesa da vida é a proposta da fé. Contra as diferentes imposições da morte espiritual, social, econômica,cultural. É consciência madura de que a vida é um precioso dom, e de que a família humana é fruto de uma decisão amorosa e livre do Criador, quando oferece o Reino e a justiça. A sociedade humana reclama salvação, no desenvolvimento de ações que revertam em atenção a crianças, aos jovens, aos maduros e aos idosos, cujas vidas estão sob risco permanente de morte. Todas as mortes.  Investir neles é uma resposta de fé no futuro do Reino de Deus, segundo o evangelho de Jesus Cristo. 

Derval Dasilio

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