21º.DOMINGO DO TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
Jeremias 2,4-13 – Que injustiça acharam em mim?
Salmo 81,1 (e 10-16) – Ah, se meu povo me escutasse!
Hebreus 13,1-8; 15-16 – Com hospitalidade vocês acolhem anjos
Lucas 14,1(7-14)  –  Não procurem lugares de destaque…

samaritano lc 14Quem se disporá, na instrução para a celebração litúrgica da Santa Ceia, a indicar as condições de participação; a perguntar indivi-dualmente a cada um, se cometeu quaisquer dos pecados dos listados, “paulinamente”, que supostamente tornariam alguém indigno da comunhão eucarística, incorrendo no perigo de esvaziar-se imedia-tamente a assembleia, e não restar nem comungantes ou celebrantes para o ritual prescrito? 

Uma discussão sobre a ética cristã se interpõe, enquanto debatemos sobre a inclusão eucarística à luz do Evangelho.Arriscando um exemplo, as questões e assuntos entrelaçados de confusões e preconceitos, antes que de tratamento teológico sobre excluídos, segundo a proposta inclusiva do Senhor Jesus Cristo. Hoje, não se observam, irmãos bêbados contumazes, ou glutões locupletados, reivindicando a participação da mesa e do pão eucarístico?

Como se denunciava existir na igreja de Corinto, imaginamos nas celebrações frequentadores de cultos pagãos à fertilidade, blasfemos, bígamos, incestuosos, sexualmente imorais, bem-postos arrogantes, patrões que exploram empregados negando-lhes direitos sociais e trabalhistas; homens públicos, políticos, envolvidos com corrupção, defraudadores, sonegadores de impostos?

Evocaremos, celebrantes e comungantes, para todos e todas, os pecados que nos tornariam “inabilitados” para a Eucaristia, inclusive aqueles constantes em “listas paulinas”, a partir das cartas aos cristãos das igrejas gentílicas (cf. as epístolas e também Atos dos Apóstolos): violentos, mentirosos, impudicos, idólatras, adúlteros, depravados, ladrões, corruptos em todos os níveis, gananciosos, avarentos, banqueiros, agiotas; bêbados, injuriosos, participando da celebração, impondo-lhes restrição à comunhão? Ou, silenciosamente nos declararíamos incapazes de reprovar os outros, levando em conta nossos próprios pecados, inclusive o preconceito e a intolerância, uma vez que as Escrituras, no Novo Testamento, não definem graus de pecados, ou qualificam pecadores, para negar-lhes a comunhão? Porque excluir homoafetivos, por exemplo, e privilegiar os demais?

Eles e elas são membros de nossas igrejas. Alguns são pastores, padres, presbíteros e diáconos, professores na escola dominical. Quem os apontaria se convidados na instrução para a celebração da comunhão? Se não se lhes nega a comunhão, quais seriam os critérios para negar a eucaristia aos demais? Critério sociológico-cultural-homofóbico-racista? O critério teológico de eleição à vida de fé não acompanha esse estreitamento. Em nenhum momento. Ao contrário, humildemente nos inclinaremos diante dos critérios de Jesus.

No Reino da justiça e da solidariedade, porém, a festa para a qual Deus convida a todos, quem oferece a honra dos primeiros lugares é o próprio Deus, e ele já determinou que esses lugares são reservados aos pobres e humilhados pelas desigualdades, ao contrário do costume. Lucas faz uso da voz passiva, é para substituir o nome de Deus. Portanto, é um julgamento: “a justiça de Deus consiste em se inverter aquilo que costumamos chamar de direito, dignidade da autoridade convidada”.

Não é certo, justo, louvável, o que é para a maioria, que diz: “manda quem pode, obedece quem é inteligente”.Dizem os gaúchos dos pampas: “Quem está de fora não adianta granar o catete; quem não tem, não adianta querer…”. O conselho que Jesus dá ao fariseu que o tinha convidado é inversão do senso popular: “não convide amigos, irmãos, parentes e ricos; convide pobres, aleijados, mancos, cegos. Os quatro primeiros são os convidados que podem retribuir o convite, ou que ficam obrigados a fazê-lo; os quatro últimos nada têm para retribuir”. Os sem-tudo são os primeiros, no banquete da vida. A atenção de Jesus se volta para prostitutas e todos discriminados – por conseguinte, por sua inclinação sexual –; vítimas de distúrbios mentais; doentes de toda ordem, deficientes físicos. Na primeira fila os pobres e deserdados da sociedade de seu tempo.

É o Apocalipse que dará o toque final da inclusão proposta por Jesus Cristo: “Felizes os convidados para a festa do Cordeiro de Deus” (Ap19,9). Jesus pergunta, desafiando, comentando, argumentando, sobre o que é maior, em favor da vida; do atendimento das necessidades vitais do próximo; do cuidado com os despojados de cidadania, os afastados intencionalmente dos bens sociais. Os discípulos de Jesus são desafiados a assumir as mais escandalosas quebras protocolares, infringir regras sociais e religiosas, para atenderem ao clamor da Graça. A sustentação do dom de Deus: comunhão com a Vida, sempre em primeiro lugar.

Derval Dasilio

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