INTOLERÂNCIA [Facebook – Nota]

5 de outubro de 2013 às 09:52

Lucas 17, 11-19 – Quem é puro?

Vítima da intolerância

Chocante, já decorridos 2 mil anos desde que o Deus humanizado, vítima da intolerância, ingressou neste mundo de misérias, conflitos, preconceitos e ilusão sobre superioridades religiosas, morais, raciais ou de classes sociais. Justificam-se ideologias autoritárias, pró-fascistas, as quais se manifestam muitas vezes através da fúria irracional e compulsiva contra indivíduos socialmente fracos e sem defesa institucional, política ou religiosa. A miséria é escamoteada para fora da realidade, como aparência de impureza.  

Intolerantes também parecem depender de superstições, crendices e crenças. A sociedade religiosa, moralmente autoritária, imagina indivíduos “diferentes” como responsáveis pelo mundo perturbado por comportamentos inaceitáveis: fratricidas, estupradores, pedófilos, drogaditos, alcoolistas, traficantes, por exemplo. Mas é do autoritarismo que emergem espancadores de mulheres e crianças, agressores de homossexuais,linchadores, flageladores, abusadores de mulheres, crianças, mendigos e doentes mentais; traficantes… As vítimas, porém, estão no cotidiano das metrópoles e pequenas cidades, camuflados no falso repúdio e “vergonha” moral da sociedade.

Ideias, atitudes, atos, são gerados em ambientes ideológicos que afirmam superioridade religiosa, sexual,racial e social. Estes discriminam, agridem, acusam  “diferentes” de inferioridade moral. Não raro são taxados de perigosos; de conduta socialmente reprovável; de práticas degradantes. Prostitutas, homossexuais, indígenas, moradores de rua; doentes mentais ou portadores de doenças transmissíveis, deficientes, engrossam a lista preferencial da sociedade intolerante.

Não faltam grupos representativos autoritários, fascistas, julgando atender a um direito de “justiça particular”,pretendendo a “limpeza da sociedade”. Dizem defender a coletividade, agem em bandos, agredindo ou linchando pessoas doentes e sãs. O que justificaria a violência contra homossexuais, alienados mentais e moradores de rua indefesos?O narcisismo coletivo não suporta o “lado feio”, repulsivo, desagradável, dos marginalizados ou estigmatizados. Em bandos, agem para exterminar“indesejáveis”, aprovados e em nome da própria comunidade.

Colocar-se aos pés de Jesus é uma postura do discípulo que está disposto a aprender sobre tolerância e vida de fé.Poderíamos perguntar também se nossas comunidades, “igrejas evangélicas”, têm a mesma disposição, bem como o direito de excluir aqueles que Jesus Cristo cura,acolhe e incluiu. Mesmo depois de “curadas” e salvas por Jesus Cristo.Acrescentaríamos perguntando se comunhão com Cristo dependeria da comunhão como autoritarismo moral, regras sociais vigentes, implícitas na religião. Igrejas têm alguma autoridade para separar quem Jesus chamou e juntou à sua comunidade?

A ética de Jesus nos fará observar os problemas da intolerância em seu tempo (Lucas 17, 11-19). Entre samaritanos e judeus –habitantes do centro e sul de Israel, respectivamente – havia uma antiga inimizade, uma forte rivalidade racial e cultural.  A palavra “samaritano” constituía uma grave injúria na boca de um judeu. Equivale a dizer, entre cristãos: termos impronunciáveis, umbandista, espírita, e outros xingamentos preconceituosos do dia-a-dia, no cotidiano religioso (Carlos Mesters).

Jesus, ao ver os “impuros” acolhe, cura, e envia-os para se apresentarem aos sacerdotes de plantão,guardiões da comunidade religiosa, cuja função, entre outras, era em princípio a de diagnosticar certas enfermidades, que, por serem contagiosas, exigiam que o enfermo se retirasse da vida pública e do culto.

Mas, Jesus exige da religião atitudes concretas de inclusão. E disse também a quem o tinha convidado: “Quando ofereceres um almoço ou jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos ricos. Pois estes podem te convidar por sua vez, e isto já será a tua recompensa. Pelo contrário, quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos! Então serás feliz, pois estes não têm como te retribuir! Receberás a recompensa na ressurreição dos justos” (Lc 14,12-14).

Jesus ensina: devemos assumir a fragilidade das pessoas discriminadas. Ele se fez servo de todos; nós também devemos servir aos irmãos; amar sem preconceito, sem reservas, sem nos omitir quanto à necessária compaixão pelo fraco e excluído. Ele fez dos fragilizados socialmente seus companheiros, protagonistas da salvação, e deu-lhes liberdade e autonomia para a vida de fé.

Derval Dasilio

Leituras:  

27º. Domingo do Tempo Comum DEPOIS DE PENTECOSTES

Jeremias 29,1-4; 7 – Procurai a paz da cidade, rogai por ela

Salmo 66, 1-12 – Reconhecidos da salvação, vinde e contai

2Timóteo 2,8-15 – A graça de Deus se manifestou para todos!

Lucas 17, 11-19 – Quem é puro?

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